Repost: Deus nos salve dos novos Geeks

Geeks, geeks, geeks (ou então Developers, Developers, Developers). Infelizmente, dizer isto três vezes não me leva de volta ao Kansas, até porque eu não vim de lá. Leva-me é a uma tristeza profunda por ver esta "classe" depredada por pessoas que... não deviam ter deixado os HI5s que há por essa web fora.

 

Geek é um termo que, no século XXI, sofreu um verdadeiro atentado, ao nível do 11 de Setembro. Já foi motivo de chacota, hoje é usado para algumas pessoas se demarcarem e destacarem no grande palco que é a Internet. Novos geeks, esses Bin Laden da Internet.

 

E não, eu não sou geek. Hoje em dia, até levo isso como um insulto.

 

OS TIPOS DE GEEKS

 

Há dois tipos de geek. Um já referi: os novos geek. O outro é o geek - o oldschool.

Os novos geek são como os novos ricos, roçam o campónio, falam muito do que não sabem e tentam passar-se por entendidos no que quer que seja. Mais, é alguém que costumava passar a vida a inserir uma imensidão de fotos nas várias redes sociais em que tem conta, para que os seus "amigos", a maioria deles desconhecidos para ele, verem que ele tem uma vida toda catita e cheia de divertimento. Entretanto, fartaram-se das redes sociais - ou, pelo menos, quiseram experimentar algo diferente - e embarcaram na blogosfera, por causa do seu cariz social. Só que na blogosfera há (ou havia) partilha de conhecimento. Para se integrarem, tiveram que ler dois ou três tutoriais de qualquer coisa para se poderem dizer entendidos e geeks. Depois, aprenderam a ligar o computador e tornaram-se os "hackers do Power button".

Como os novos geeks vão sempre atrás do hype do momento, embarcaram no microblogging; neste caso, no Twitter, o serviço mais popular da actualidade. Esta mudança foi um marco importante para eles: puderam voltar a exercitar fortemente o seu "músculo egocêntrico", a ter uma enorme lista de "amigos" e a "comunicar" como se o mundo inteiro se interessasse pelo que estão a fazer. Geek tornou-se sexy e fashion.

O outro tipo de geek, o geek (passo a redundância), é alguém que sabe do que fala ou escreve. Não é uma autoridade nesse assunto, ou não é considerado como tal, mas tem bons domínios no campo ou campos em que está inserido e é curioso. Gosta de partilhar conhecimento e sabe fazer mais que ligar o computador. Mas é - ou era - gozado pela sua falta de aptidões sociais, onde os nerds ainda dominam (na falta delas).

UMA PANDEMIA

 

Esta mania do social e do ser sociável e ser fashion e o camandro, ampliada pela MTV e outros que tais, tomou como seu o termo geek. Hoje, o que não falta são blogs e contas no Twitter destes novos geeks. E, por muito que se tente, é impossível não se cruzar com três ou quatro. Eles estão em todo o lado; é pior que a gripe espanhola. E pior, acham-se uns entendidos em tecnologia só porque compraram um iPod e sabem copiar músicas para ele com o iTunes, ou então acham-se uns experts em política só porque votaram nas últimas eleições. São casos reais! Ou o drama, o horror...

 

Não me interpretem mal. Eu acredito e defendo a liberdade de expressão, mas também acredito que há limites para tudo. E esta moda geek - que, como todas as modas, é um pouco parva - ultrapassa todos os limites do razoável. Mas ela vai continuar até os novos geeks se fartarem disto ou até aparecer um hype tão ou mais forte que o Twitter.

 

Este post é um repost deste outro post

publicado por brunomiguel às 12:25 | link do post | comentar