Não é nada porreiro para ti, pá

As coisas, no que ao caso Freeport concerne, não estão nada fáceis para o nosso Primeiro Ministro. Não lhe bastava a polémica já existente em torno do caso, agora a TVI decidiu largar a bomba, ao mostrar imagens do alegado DVD gravado por Alan Perkins, no Jornal Nacional.

No vídeo, que vi através do blog 31 da Armada, Charles Smith acusa José Sócrates de ser corrupto, afirma que a aprovação da construção do Freeport foi conseguida graças a pagamentos por baixo da mesa e menciona a intervenção de familiares do Primeiro-Ministro nessa passagem de luvas.

Escreve Romana Borja-Santos, no PÚBLICO:

A reunião, que terá acontecido em Março de 2006 em Lisboa, foi marcada a pedido de Alan Perkins, com o objectivo de perceber as saídas de dinheiro da sede da empresa, em Londres, e que supostamente serviram para o pagamento de “luvas” em Portugal na altura do licenciamento. Além dos dois, esteve presente João Cabral, funcionário da consultora.

No mesmo vídeo, o engenheiro escocês refere que na altura, em 2002, José Sócrates “estava no Governo e foi ele que aprovou o projecto na última semana do seu mandato de quatro anos”. Smith garante ainda que “não foi uma questão de dinheiro, foi pura estupidez”.

No que diz respeito aos pagamentos e ao valor em causa, o sócio da consultora avança que “foram feitos mais tarde” e em várias tranches para não levantar suspeitas. Ainda segundo a mesma fonte, parte do dinheiro saiu da Smith & Pedro e a restante foi entregue em dinheiro vivo a um primo do então ministro do Ambiente. Foi com esse primo, cujo nome não é referido, que segundo Smith decorreu a reunião para combinar os procedimentos, onde também terá estado presente Sean Collidge, presidente do Conselho de Administração da Freeport, e Gary Russel, director comercial e mandante da empresa inglesa para o licenciamento do projecto.

Charles Smith explica, ainda, que o montante inicial acordado era de 500 (sem referir a moeda) mas que depois ficou acordado 600. Mais tarde, na mesma reunião, explica que da sua empresa saíram sempre valores baixos de três a quatro mil euros, num total de 150 mil, cujos impostos foram tributados directamente no seu IRS, e que o primo de Sócrates teria chegado a pedir um milhão para o licenciamento.

Na altura em que Perkins questiona porque foram efectuados os pagamentos mesmo depois de José Sócrates já não estar no poder, Smith pede ajuda a João Cabral que diz que o actual primeiro-ministro “tem muitos conhecimentos importantes” e que, por isso, “tinham medo de não pagar”. O sócio da consultora refere, ainda, que a saída do dinheiro ficou registada como “contrapartidas pela prestação de serviços”.

As imagens mostradas pela TVI estão disponíveis no Youtube. Caso não consigam ver o vídeo neste site, por não terem flash ou por ele entretanto ter sido removido, podem descarregá-lo no formato Ogg Vorbis.

publicado por brunomiguel às 14:39 | link do post | comentar