Astroturfado outra vez

Há muito tempo que não tinha a visita de um astroturfer microsoftiano aqui no blog. Já pensava que eles se tinham chateado comigo; até já tinha desenvolvido uma depressão por causa das saudades. Mas eles voltaram, e desta vez com argumentos que parecem escritos pelos apresentadores do Telerural. Se calhar este é novo e ainda não lhe apanhou o jeito.

Deixo os argumentos fraquinhos que ele utilizou e os meus contra-argumentos, para que possam rebater os dele e/ou os meus.

Contrariamente ao que diz, o um produto proprietário não modela as pessoas. Por norma, os produtos proprietários são desenvolvidos com base no mercado, nas suas exigências e especificidades. Isso vai ao encontro dos bons exemplos e das boas práticas, no sentido da aposta na padronização e num conjunto vasto de regularidades que se têm afirmado como positivos para a sociedade.

As necessidades do mercado são genéricas, logo qualquer solução, livre ou proprietária, que tente satisfazer estas necessidades nunca satisfará todas as necessidades dos utilizadores. A diferença entre as livres e as proprietárias está na possibilidade de adaptar o software livre aos utilizadores, o que normalmente não acontece com o proprietário.
Quanto às boas práticas, prefiro não me pronunciar. Acho que a palavra «proprietário» é mais que suficiente para mostrar estas "boas" práticas.

Contrariamente, já não se pode dizer o mesmo para a grande maioria das soluções de software livre, pois a grande maioria pura e simplesmente não funciona ou não se adapta às necessidades práticas dos utilizadores.

Não funciona? Bem, eu então eu uso muito software que não funciona. Mas espera, se ele não funciona, porque raio é que ele está a funcionar? E todos aqueles servidores web que usam software livre, como os do Sapo, também não funcionam? Estranho, porque parece que funcionam. Google? Eh pá, se não funciona, porque é que funciona?
Eu até estou a escrever isto no Emacs, um editor de texto livre. Pela tua lógica, ele não funciona. Mas se não funciona, porque consigo eu usá-lo e escrever o texto? Raios, vida é mesmo complicada...

Quanto à segurança, acho que isso não se coloca, independentemente do tipo de solução adoptada, embora nesse campo sejam as soluções proprietárias quem mais experiência tem.

Eu conheço uma que tem 20 anos de experiência traduzidos em mais de 140 mil vírus... Mas cada caso é um caso.

Um produto de software é um bem activo de uma organização, contribui directamente para o seu desempenho e crescimento, valorizando-a e nesse sentido tem, e deve, ser entendido como estrutural. Talvez não se aperceba, mas comprar livre para ter que adaptar, moldar, formar e corrigir, pode, por vezes, saír mais caro que comprar feito.

É um gasto que pode ou não, inicialmente, ser superior, mas que tem retorno a médio e longo prazo. E assim acaba por ser uma solução bem mais em conta.

Não quero, com isto, defender este contra aquele, mas fazer um pouco de justiça naquilo que considero ser injusto nas suas palavras.

Defender? De forma alguma. Este teu comentário foi apenas uma receita de bolos de bacalhau que me deixaste.

O Estado português, como bem sabe, também contrata soluções de software baseadas em plataformas livres e paga por elas.

Software livre refere-se à liberdade. O que o Estado paga, presumo eu, é suporte técnico. Se está a pagar pelo próprio software livre, então está a pagar o que não devia.

Este astroturfer desiludiu-me. A argumentação é fraca e mostra muito desconhecimento. O victor astroturfava muito melhor que este nelson.

publicado por brunomiguel às 14:01 | link do post | comentar