Opiniões estranhas

Estou um bocado chocado com o que li num artigo do jornal O Público:

Para Isilda Pegado, que está contra o casamento homossexual, as regras são para serem respeitadas, “não por uma questão cega”, mas por uma questão de “disciplina”. E acha que a liberdade de voto colocada pelo seu partido, o PSD, “é um perigo para a democracia”.

Para Isilda Pegado, liberdade de voto é um perigo para a democracia? Porquê? Porque cada um pode votar de acordo com a sua consciência e isso não lhe convém?

Mais à frente pode ler-se o seguinte, novamente de Isilda Pegado:

A jurista ilustra com uma palavra a discussão em torno do casamento homossexual: um “folclore”. “Tenho muitos amigos homossexuais, tenho clientes homossexuais agora se me perguntar se este folclore é bom para os homossexuais, acho que não. Os verdadeiros homossexuais não estão nada disponíveis para este folclore”, avança Isilda Pegado. “Os verdadeiros são aqueles que vivem interiormente a sua condição homossexual”.

Os verdadeiros homossexuais são, se estiver a interpretar correctamente as palavras de Isilda Pegado, aqueles que o ocultam. bem...

Logo a seguir:

Isilda Pegado era ainda deputada quando em 2004 teve de votar a favor dessa alteração na Constituição: “Só eu sei o que me custou”. Custou-lhe porque não concordava. Porque antecipou o que originaria essa alteração. “O que é que o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo traz de contrapartida ao Estado? Traz mais impostos? Traz filhos?” Mas nunca lhe passou pela cabeça contestar as decisões PSD.

Que me desculpe Isilda Pegado, mas sou levado a pensar que ela não é a favor da igualdade entre as pessoas. Estranho, numa jurista.

Isto ainda continua. No final, fica a ideia que as pessoas ainda confundem religião com Estado, como se as duas devessem estar ligadas.

publicado por brunomiguel às 19:50 | link do post | comentar