Os perigos de partir do princípio que tudo o que lemos, ouvimos e vemos na internet é verdade

Ontem, vi uma reportagem que relatava o desaparecimento de uma pita com uns 16 anos, que me deixou boquiaberto. Nesta reportagem, os jornalistas começavam a afirmar que a miúda estaria, muito provavelmente, a ser violada, apesar de também dizerem que a polícia não sabia o que se passava. Depois, a pivot diz em directo aos pais que a miúda, como é bonita, está quase com toda a certeza a ser violada. Segundos depois, mostram o resultado de uma votação sobre o que poderia ter acontecido à jovem desaparecida.

Depois de ter visto alguns vídeos da Fox News, eu parti do princípio que este vídeo era, muito provavelmente, de algo que tinha realmente acontecido - que não era um hoax -, mas mantive alguma desconfiança. Por isso, decidi mostrá-lo ao meu irmão, que mostrou muita desconfiança em relação a ele. Como ele desconfiou da veracidade do vídeo e eu não estava 100% seguro em relação à reportagem, fui tentar saber o que raio é a Onion News e descobri que é «an American "fake news" organization», ou seja, uma agência - se é que lhe podemos chamar isso - noticiosa que se dedica à criação de notícias falsas, normalmente humorísticas.

Agora que sei que o vídeo é de uma notícia falsa, rio-me um bocado à pala ele. Mas, por momentos, pensei que algum canal televisivo estivesse a tentar imitar a Fox News e a recorrer a práticas cada vez mais frequentes de quem tem formação jornalística (mas que de jornalista tem muito pouco ou nada). Valeu-me o meu cepticismo e o hábito de pedir opiniões a outras pessoas sobre determinado assunto, para tentar ver as coisas de outro prisma. Se não fosse isso, a esta hora estava aqui a escrever um post a criticar, de forma bastante áspera, o trabalho pseudo-jornalístico daquele canal.

O vídeo, em formato Ogg Theora, pode ser descarregado aqui.

publicado por brunomiguel às 14:40 | link do post | comentar