Microsoft sob o microscópio

Eu criticava a Microsoft - e outras empresas de software proprietário - pelas questões morais, sociais e éticas dos seus modelos de negócio, mas também por questões técnicas mais simples e conhecidas (ex: falta de fiabilidade e segurança dos sistemas Windows, que eu senti na pele durante alguns anos, e as implicações de segurança dos sistemas proprietários). Mas depois de ler este texto de Frank van Wensveen, que me chegou ao conhecimento através do Bitaites, estou seriamente tentado a remover o Samba só porque ele implementa alguns protocolos da Microsoft.

Microsoft products are immature and of inferior quality. They waste resources, do not offer proper options for administration and maintenance, and are fragile and easily damaged. Worse, new versions of these products provide no structural remedy, but are in fact point releases with bugfixes, minor updates and little else but cosmetic improvement. Recent versions of Microsoft products are only marginally more secure than those that were released years ago. In fact, if it weren't for additional security products such as hardware-based or Unix-based filters and firewalls, it would be impossible to run an even remotely secure environment with Windows.

MS products are bloated with an almost baroque excess of features, but that's not the point. The point is that they are to be considered harmful, lacking robustness and security as a direct result of basic design flaws that are in many cases over a decade old. They promise to do a lot, but in practice they don't do any of it very well. If you need something robust, designed for mission-critical applications, you might want to look elsewhere. Microsoft's need for compatibility with previous mistakes makes structural improvements impossible. The day Microsoft makes something that doesn't suck, they'll be making vacuum-cleaners.


À luz disto, não consigo perceber como é possível o nosso governo entregar numa bandeja quase tudo o que está relacionado com informática a esta empresa. Por mais que use a imaginação - e olhem que eu tenho muita imaginação para dar e vender -, não consigo vislumbrar uma qualquer razão que seja para isso. Isto é como pedir aos criminosos para combater o crime.

O texto é muito extenso; lê-lo num dia vai obrigar-vos a começar a leitura de manhã cedo - eu comecei por volta das 9h e às 16h48m estava a meio; às 18h58m terminei. Felizmente está separado por capítulos, permitindo que leiam um capitulo ou dois num dia, outro capítulo noutro dia, e por aí fora, até terem tudo lido.

Um bom documento histórico e educativo, cuja leitura recomendo, apesar de não concordar com algumas notas finais do autor, especialmente a parte em que diz que todos estamos condenados a utilizar software Microsoft porque o contrário é impensável. Isto não podia ser mais errado; mas fora isso, é uma boa leitura.

 

publicado por brunomiguel às 18:56 | link do post | comentar