Eu sabia que não era paranóia minha

Não fui só eu a achar estranho o comunicado da Microsoft sobre da compra da MobiComp, onde a bajulação ao nosso Primeiro-Ministro é tanta que é impossível não reparar nela.
 

It highlights the success of our prime minister’s economic policies and serves as proof of Microsoft’s commitment to the partnership signed between Portugal’s government and Bill Gates two years ago.


Congratular o Primeiro-Ministro pelas suas políticas económicas num comunicado sobre a aquisição de uma empresa nacional é, no mínimo, estranho, porque a influência das suas políticas nesta compra quase consegue equiparar-se à das baleias com a venda de paus de incenso.

É verdade que, se fizermos um esforço, conseguimos encontrar uma relação entre a migração das baleias e a venda de paus de incenso. As baleias acabam por influenciar economias dependentes da sua migração. Essas economias acabam por influenciar outras economias perto delas. E assim sucessivamente. É um ciclo com um influência tão indirecta, que nem é tida como influência.

Depois de ler aquele comunicado, uma pessoa mais desatenta, como Roy Schestowitz, por exemplo, poderá pensar que isto é untar de mãos em forma de agradecimento. Se é ou não, não sei. Mas sei que, se estivesse no lugar do Primeiro-Ministro, nunca mais saia à rua depois de ter sido bajulado num comunicado da Microsoft. A vergonha seria grande demais para mim.

publicado por brunomiguel às 15:56 | link do post | comentar