Eu sou um Odilon Redon por descobrir

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Quando a tarefa é desenhar, eu sou um destro com duas mãos esquerdas. É uma maldição que me acompanha desde a infância.
Quando andava na escola primária e na catequese (fui obrigado pelos meus pais; não fui por vontade própria, que fique bem claro), pedia ao meu pai para fazer os desenhos por mim, porque a vergonha de ter o pai a fazer os desenhos eram bem menor que aquela de mostrar os desenhos que eu próprio tinha feito. Felizmente para mim, os professores da primária e as catequistas não se importavam que o meu pai me fizesse os desenhos, porque já sabiam o que a casa gasta.
Recordo-me de um episódio, de quando andava no primeiro ano da primária, em que agarrei uma mão cheia de lápis de cor e comecei a fazer rabiscos aleatórios. O resultado foi uma miscelânea de cores num desenho sem qualquer nexo – pelo menos para o comum dos mortais. Desde então, a coisa pouco melhorou.
Mais tarde, quando começou a dar o Dragon Ball, comprei uma cassete de vídeo – sim, ainda sou do tempo dos gravadores de vídeo - e gravei alguns episódios destes desenhos animados, que comecei a usar para aprender a desenhar. O método era simples: pausava o vídeo, encostava uma folha de papel vegetal à TV e começava a delinear no papel a imagem que estava no ecrã. Estes foram os meus melhores desenhos; pena é que tenham sido tipo “bicicleta com rodinhas de apoio”.
Uma outra tentativa de começar a desenhar alguma coisa com pés e cabeça aconteceu um pouco antes da anterior, movida pela inveja do jeito para o desenho de um colega de turma luso-francófono chamado Julien. O gajo desenhava montes de bem e eu também queria desenhar assim! Mas acabei com o papel vegetal encostado à televisão.

Eu estou para o desenho como o Benfica esteve esta época para os resultados, ou como o Bush Jr para dizer alguma coisa de jeito. Vale-me a criatividade, que chega e sobra para colmatar a completa falta de jeito para criar rabiscos com sentido. Tenho é que a exercitar, porque ela está um pouco enferrujada.
Se não acham que tenho uma boa criatividade, vejam o desenho incluído neste post. Eu sei que está demasiado simples, mas isso deve-se à minha inaptidão para o desenho. Eu eu soubesse desenhar, para além das câmaras de vigilância e do arame farpado à volta da caixa, veriam: um utilizador algemado ao computador; uma arma apontada a ele; cães prontos a morder-lhe, caso ele tente controlar a máquina; um segurança, para um efeito semelhante ao cão; montes de sensores e alarmes; uma venda nos olhos do utilizador; e uma mão a tirar indiscriminadamente dinheiro do bolso do pobre utilizador.
Ok, não é nada de extraordinário. Mas eu avisei que a criatividade estava enferrujada.

Nota: a imagem deste post, cujo título é Proprietary Software, é da minha autoria e está disponível sob uma licença Creative Commons 2.5. Caso não estejam familiarizados com a licença, leiam a sua discrição.
publicado por brunomiguel às 14:23 | link do post | comentar