Portugal: país de descobridores e malware

Eu já sabia que, nestas coisas, os portugueses são muito estúpidos – parecem um burro a olhar para um palácio. Mas estava longe de imaginar que fazemos parte do top da parvoíce informática.
Vejam esta miséria: a Symantec divulgou um relatório sobre os países com computadores mais infectados por malware e Portugal está em décimo lugar no top dos países europeus, africanos e árabes - a Symantec chama-lhe EMEA (Europe, Middle East and Africa). No panorama global, o nosso país ocupa o vigésimo quinto lugar, num total de, reparem bem, 231 países. Isto nem ao diabo lembra, caramba!
Existem países em que a situação é pior que em Portugal. Os Estados Unidos e a Espanha são dois exemplos em que a incidência de malware é maior. Talvez isso se deva, em parte, à maior população.
Mas o número de habitantes não é, nem deve ser, desculpa. E os problemas dos outros são isso mesmo: problemas dos outros. Com os nossos é que nos devemos preocupar primeiro.
O problema é que muito pouca gente se preocupa com isto. Por isso é que recebemos, por mail, aquelas merdas em powerpoint; imagens de putos que têm todas as doenças do mundo e poderão ser ajudados se reenviarmos aquele mail a todos os nossos contactos; vídeos de alegadas cenas de sexo com pessoas conhecidas; aplicações que resolvem todos os problemas do computador; prémios e/ou oportunidades fantásticas... Isto tudo enviado pelos nossos contactos.
Onde é que está o cérebro nestas alturas? Será que as pessoas o metem em standby quando se sentam em frente a um computador?
Acabo por dar alguma razão a quem diz que algumas pessoas deviam ser proibidas de mexer num computador. Talvez isso resolvesse uma boa parte dos problemas com malware.
Mas se não mexerem num computador, torna-se difícil aprenderem a trabalhar com ele.

Enquanto não é criada uma solução para este problema, podem ser seguidas um conjunto de dicas para atenuar esta situação, que passo a enumerar: parem de reenviar aquelas porcarias de emails anormais que recebem, com powerpoints e crianças que sofreram todas as desgraças possíveis e imagináveis; parem de clicar em todo o que mexe e brilha; usem software e sistemas operativos seguros; usem o raio da cabeça.
Com este meu pequeno conjunto de medidas, que quase não dão trabalho a implementar, Portugal rapidamente caia para os últimos lugares do top de países com computadores infectados por malware.

via Edição online do jornal O Público
publicado por brunomiguel às 16:21 | link do post | comentar