O futuro do país? Não me parece.

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Fotografia original da autoria de Gonzale, disponibilizada sob a licença Creative Commons 2.0 by-nc

Tenho lido e ouvido muitas opiniões acerca do que se passou na escola Carolina Micaelis, no Porto, onde uma miúda discutiu com uma professora e a agrediu por causa do telemóvel (falo em agressão porque fiquei com a ideia de que houve realmente agressão quando vi o vídeo). Quase todas elas dizem que estas situações, cada vez mais frequentes, são graves e que estes miúdos são o futuro do país.
É verdade que a escalada de violência de alunos contra professores é alarmante e muitíssimo grave, mas não é assim tão verdade que estes putos são o futuro do país.

O futuro do país? Não me parece.
Em abono da verdade, há que dizer que boa parte destas crianças - porque eles ainda são crianças - não tem grande futuro - nalguns casos, nem há futuro.
A maioria não deverá conseguir mais que um trabalho ranhoso com direito a ordenado mínimo. Alguns passarão parte da sua vida numa prisão. Outros terão problemas com drogas e acabarão por morrer. Outros ainda viverão à custa de subsídios. Mas poucos terão um futuro risonho à sua frente.
Talvez o viver à custa de subsídios não desagrade a alguns, mas mal ter dinheiro para comida e não fazer nada o dia inteiro não é algo que considere boa vida ou vida saudável.

De quem é a responsabilidade?
Parte da culpa disto é dos pais. Não impõem limites aos filhos, não lhes ensinam o que é o respeito e não lhes dão uns bons tabefes quando eles precisam. Em vez disso, fazem tudo o que eles querem, só para não os aturarem, e passam muito pouco tempo com eles.
Os miúdos, que se começam a habituar a ter e fazer tudo o que lhes dá na cabeça, começam a entrar num estilo de vida em que respeito e educação é coisa que não existe.
Passados vários anos, os pais destes meninos lamentam-se da vida que os filhos têm. E depois culpam tudo e todos, mas esquecem-se ou não querem saber que parte da culpa é deles, por não lhes terem dado a educação que deviam.
Alguns chegam até a dizer que a culpa é da escola, porque não educou os seus filhos. Mas, na escola, adquire-se conhecimento. A educação e respeito aprendem-se em casa.
Outra parte da culpa assenta em quem diz que os professores não podem dar uma estalada a um aluno - com os devidos limites, claro - quando ele faz coisas como esta que se passou na tal escola do Porto, porque pode traumatizar a criança. Mas o puto já está traumatizado pela falta de educação e limites que teve. O professor estaria até a fazer-lhe um favor, ainda que a criança não se apercebesse disso.
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publicado por brunomiguel às 19:30 | link do post | comentar