A vingança dos geeks

Esta teoria parva da vingança dos geeks começou por causa de uma resposta da Maria João Nogueira, do Sapo, a um post do Bitaites sobre os sistemas de avaliação usados para medir a popularidade e/ou qualidade de um blog. O que desencadeou esta teoria foi o seguinte:
Para essas pessoas, o PageRank é importante.
É importante para quem se movimento num universo mais tecnológico. Portanto é importante para a geekosfera.

Geekosfera leva-nos ao termo geek. Este termo é aplicado a quase todas as pessoas que têm um blog relacionado com tecnologia e/ou estejam ligados a tecnologia, mesmo que essa relação seja pequena. É um motivo de orgulho, para qualquer um, a ostentação do termo geek. Isto chega a ser de tal forma, que até existem testes para medir a “geekeza”, o quão alguém é geek. Eu fiz um destes testes e deu 64%, mas isso interessa; não sou geek e só o fiz porque tinha curiosidade em saber o que era avaliado para descortinar o nível de “geekeza” de alguém. Escusado será dizer que eram coisas parvas, do tipo “Que raça extraterrestre tem as orelhas grandes?”.

No meu tempo, isto dos geeks não era assim. Se um rapaz que fosse geek, era certo que passava metade do tempo a estudar e a outra metade a levar porrada dos chamados fixes, a malta popular da escola. Com as raparigas, a situação era semelhante, só que em vez de levarem porrada, eram enxovalhadas pelas colegas - as colegas até podiam ser os maiores mostrengo que alguma vez viram, mas não eram geeks, por isso podiam gozar.

Mas há excepções, como é óbvio. Eu, quando era menino e moço, para aí quando tinha os meus 14 anos, fui da turma de uma dessas excepções. A rapariga chamava-se Maria Inês Leite e passava a vida a estudar e a tirar altas notas; para ela, qualquer nota abaixo dos 90% era má. Mas, mesmo com estas notas e com toda a geekeza patente, não era gozada pelas colegas. Ela era uma excepção porque sabia comunicar, coisa que, no meu tempo, era muito raro ver num geek. Ela não era a rapariga mais popular da escola, nem sequer fazia parte do leque das mais populares, mas ninguém a chateava.

Claro que a memória pode estar a atraiçoar-me nalguns detalhes sobre ela, porque já passaram vários anos e porque eu tinha uma paixoneta por ela. Além de inteligente, era bonita e isso, claro, punha-me doido. Não literalmente, porque só fiquei assim uns anos depois, mas achava-a bastante interessante.

Voltando ao assunto. Durante anos, os geeks foram gozados, enxovalhados, espancados. Foram anos e ano de sofrimento. Como se vingariam?! Estudando cada vez mais, para depois dominar a Internet e popularizar o termo geek. Até chegaram a criar uma aliança secreta chamada “The Reveange of the Geek”, com direito a esconderijo secreto e tudo. Neste esconderijo poderiam ver-se estátuas do Einstein, animais embalsamados, canetas não roubadas (é importante frisar que as canetas não eram roubadas, eram mesmo deles) e até livros! Vejam lá até que ponto eles levaram isto. Livros! Só faltava terem os trabalhos de casa à mostra...

Não me interpretem mal, não tenho nada contra os geeks. A sério que não tenho. Até conheço vários e dou-me bem com eles, e até tenho a agradecer aos geeks a criação do melhor sistema operativo do mundo: GNU/Linux Mas eu não sou geek e sei que isto, para eles, pode parecer um pouco jocoso. Mas garanto que não é, até porque eu nunca fui um dos “fixes” que vos dava porrada todos os dias. Eu nunca liguei a isso, preferia ficar na minha e tentava dar-me bem com todos. Era quase um relações públicas, só que eu nunca fui a excelência da socialização. Lá dava para me safar sem problemas.

Os tempos mudaram e os geeks também. Hoje em dia, um geek sabe socializar, é admirado e não leva porrada (a não ser que seja assaltado). Já não precisam de usar óculos com lentes fundo de garrafa, pois desenvolveram as lentes de contacto. Dominam a Internet e isso dá-lhes muito poder. Por isso, meus caros “fixes”, tenham cuidado, porque a vingança dos geeks está em curso. Tenham medo, tenham muito medo!
publicado por brunomiguel às 01:38 | link do post | comentar