As verdades, as mentiras e os mitos - Síndrome de Estocolmo nos sistemas operativos?

Criei, à pouco, um tópico num fórum sobre aqueles medos infundados que os utilizadores de Windows têm em relação a GNU/Linux; foram coisas do conhecimento de todos (senso comum), como o medo da falta de software, drivers e vírus (não, não estou a gozar). Depois expliquei porque é que esses medos, na esmagadora maioria dos casos, são infundados.

Entretanto, um amigo deixou, no tópico, uma resposta típica de um utilizador que sofre do Síndrome de Estocolmo em relação a Windows. Ele diz que existem muitos vírus para Windows porque é mais usado. Mas não seria mais lucrativo atacar servidores, onde GNU/Linux é rei e senhor? Não terão os servidores informação mais importante que o desktop de um zé povinho?!

Outro dos "problemas" que ele apontou foi a falta de drivers, fazendo menção a um tópico criado por um utilizador que tinha adquirido um portátil que vinha com uma daquelas pendrives para ligar a uma rede wireless. Ele aponta isso como uma falha. Mas será que é falha da comunidade ou do fabricante, que não cria drivers para outros sistemas operativos? Felizmente, o utilizador que tem essa pen pode contar com o NDisWrapper. A falta de drivers para algum hardware não é uma falha, é culpa dos fabricantes. E convém frisar que GNU/Linux é o sistema operativo com maior suporte para hardware.

Outro argumento é a alegada facilidade de uso do Windows. Depois de ter usado o GNOME 2.18.x, venha lá quem vier, o Windows não é fácil de usar; não é muito complicado, mas não é tão intuitivo, nem nada que se pareça, como o GNOME.

O software foi outro argumento. Ele afirma que tem facilidade em obter software para Windows. É verdade que não é muito complicado obter software para Windows, mas não é mais fácil inserir um comando e ter um programa instalado? Será que não existe muito software para GNU/Linux? Eu, no meu Debian Lenny, tenho 21 182 pacotes disponíveis nos repositórios, para além da imensa quantidade de software disponível no SourceForge, Freshmeat e GnomeFiles. Se isto não é facilidade em obter software, então não sei o que é.

Não me posso esquecer do argumento jogos. É verdade que este é um dos campos em que GNU/Linux fica atrás do Windows, mas existem bastantes jogos para este sistema. Só que este não é um sistema para gamers, é para quem quer trabalhar. Quem quer jogar, compra uma consola. Isso sim tem jogos em condições, e nenhum sistema operativo lhe consegue fazer frente.

O título "As verdades, as mentiras e os mitos - a Síndrome de Estocolmo nos sistemas operativos" pode fazer-vos alguma confusão, porque a Síndrome de Estocolmo está relacionada com raptos e a empatia que as vítimas ganham em relação aos raptores. A Síndrome de Estocolmo é um estado psicológico muito complexo, que eu não pretendo banalizar. Mas não é um pouco o que se passa, de uma forma muito ligeira, com os utilizadores de Windows que, mesmo com vírus, instabilidade, má performance, continuam, de pedra e cal, a usar os sistemas operativos da Microsoft? É verdade que cada um usa o que quer, mas quantos é que escolheram o que usar? E quantos é que sabiam que tinham escolha?

Não concordam comigo? Concordam comigo? Em relação a que pontos? Estejam à vontade para deixar a vossa opinião sobre este assunto, de uma forma civilizada.
publicado por brunomiguel às 15:00 | link do post | comentar