Quinta-feira, 20.11.08

Carta aberta ao Ministério da Educação

Prezada Ministra da Educação e prezados Secretário de Estado Adjunto e da Educação e Secretário de Estado da Educação;

Após leitura de um artigo [1] publicado na edição online do jornal O Público sobre a alegada ilegalidade dos registos electrónicos dos objectivos individuais dos professores, fiquei curioso em relação à plataforma e decidi visitá-la, mesmo não sendo professor. Encontrar o endereço foi relativamente fácil; já o mesmo não posso dizer do acesso a ela.

Quando tentei visitar o site, foi "presenteado" com uma mensagem de erro [2] devido ao browser que estou a utilizar. Ora, o browser que uso chama-se Icecat, actualmente na versão 3.0.4, e é um clone do Firefox 3.0.0.4; entre ele e o Firefox, para além do nome, muito poucas diferenças há, e um site que é mostrado correctamente num é mostrado correctamente no outro. Estou a usar este browser numa distribuição do sistema GNU/Linux chamada gNewSense.

Na mensagem de erro que referi é-me sugerido a utilização do Internet Explorer e afirmado que ele é usado «por mais de 90% dos internautas». Esta sugestão deixa-me estupefacto, pois não consigo perceber como uma instituição pública pode sugerir dictatorware - leia-se, software proprietário/nocivo, contrário a todos os valores democráticos. A estupefacção fica maior com a mentira que segue a sugestão: a utilização deste browser «por mais de 90% dos internautas». Queiram saber vossas excelências que este browser proprietário é, de acordo com um relatório [3] da Xiti Monitor, utilizado apenas por 60% dos europeus - um número que continua a diminuir a cada mês que passa.

Na mesma mensagem de erro é também sugerido o Mozilla, uma «suite Internet por excelência». O problema é que esta suite agora se chama SeaMonkey e já não está sob a alçada da Mozilla Foundation (apesar desta dar algum apoio ao nível legal a este projecto), como poderá verificar quando clicar na link [4] da página de erro que foi criada para a Multi Plataforma DRGHE. Seria bom que estes pequenos detalhes fossem verificados antes da colocação do site online. O facto de algo tão trivial como isso não ter sido feito faz-me pensar que outras coisas também podem ter ficado por verificar nesta plataforma.

Outra sugestão... estranha é o Netscape, um browser que, curiosamente, teve o seu desenvolvimento descontinuado há alguns meses. A sua utilização poderá pôr em risco quem o usa, tal como usar o browser proprietário que sugerem no início da mensagem de erro.

Posto isto, gostava de agradecer a vossas excelências por me tratarem como um cidadão de segunda. É "bom" saber que só quem usa determinadas aplicações é que pode aceder a alguns sites do Governo, e que interoperabilidade, tão recomendada pela União Europeia, é um conceito desconhecido por quem desenvolve e/ou autoriza estas aplicações web.

Atenciosamente;
Bruno Miguel

[1] http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1350642&idCanal=58
[2] https://concurso.dgrhe.min-edu.pt/DefinicaoObjectivos2008/(S(mwwzjzy0ousdpbv0is4jtd45))/browser.aspx
[3] http://www.xitimonitor.com/en-us/browsers-barometer/browsers-barometer-september-2008/index-1-2-3-145.html
[4] http://www.mozilla.org/products/mozilla1.x/

publicado por brunomiguel às 21:13 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Segunda-feira, 30.06.08

Linux: o kernel que virou empresa

Eu não consigo perceber porque raio a Ministra da Educação fica admirada quando vê os professores a protestar contra as suas medidas. Quando o seu ministério diz que Linux, um kernel, é uma das empresas que assinaram protocolo de colaboração para a criação de academias de tecnologias de informação, não é de admirar que Maria de Lurdes Rodrigues seja apupada pelos docentes.

Que empresa, a que o Ministério da Educação chamou Linux, será esta? Caixa Mágica, Red Hat ou outra? Eu espero bem que seja uma empresa portuguesa, porque em Portugal também se faz bom software livre.

via Repeat Until Keypressed

publicado por brunomiguel às 22:12 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Terça-feira, 14.08.07

Ministério da Educação disponibiliza CD com software livre

software_livre_nas_escolasNão posso dizer que não estou surpreendido, pois estou e bastante! O Ministério da Educação, com o apoio da ANSOL e da SUN, está a promover a utilização de um CD com software livre nas escolas.
O CD contém software útil ao corpo docente e estudantil. Da lista de aplicações incluídas destaca-se, para além dos conhecidos Firefox, Thunderbird, Gaim e OpenOffice, a inclusão de software direccionado para o ensino da matemática - disciplina mal amada pelos estudantes - e um gestor de projectos. A lista completa de aplicações pode ser vista no site do Ministério da Educação.
Este projecto é digno de destaque e aplauso mas, talvez por ser um pouco descrente nestas iniciativas, não me parece que seja um passo rumo ao uso de sistemas operativos gratuitos nas salas de aula portuguesas, por muito que os impulsionadores do projecto o desejem. Mas um CD com software livre já é melhor que nada.
O CD pode ser descarregado daqui ou requisitado em qualquer Direcção Regional de Educação e Centros de Competência.
Se quiserem ajudar o projecto ou apenas recolher mais informações, visitem a lista de discussão do projecto.

{Fontes: Blog do Gonçalo Rodrigues && Blog do Rui Az && EscolasLivres.org}

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