10/11/2009

Tecido pulmonar: é só juntar células estaminais e ar


A minha primeira reacção ao ler o artigo da NewScientist entitulado "Breath of fresh air transforms stem cells" foi: isto é tipo o Frankenstein. Mas não é. Bem, não parece; faltam os parafusos e os relâmpagos. Ainda assim, conseguir criar tecido pulmonar a partir de células estaminais deixadas ao ar livre é obra.

Esta descoberta foi feita por Lindsey Van Haute, da Free University of Brussels, Bélgica, e a sua equipa de investigadores.

Para realizar esta experiência, os cientistas colocaram as células estaminais numa membrana porosa. Depois, colocaram nutrientes por baixo das células para as alimentar e um líquido por cima para estimular o crescimento, de onde de seguida retiraram dois químicos para dar início à diferenciação das mesmas.

Quatro dias depois, removeram os químicos que facilitavam o crescimento, deixando-as a apanhar ar normalmente e mantendo os nutrientes. A intenção era reproduzir mais ou menos fielmente o ambiente de crescimento que teriam na traqueia.

Após 24 horas de exposição ao ar livre, as células estaminais transformaram-se em tipos específicos de células encontradas nos pulmões.

Com o resultado das suas experiências, esta equipa de investigadores liderada Lindsey Van Haute mostrou que os factores físicos influenciam a transformação das células em tecido.




1 comentário:
De MTR a 10/11/2009 às 12:07
Engraçado, não há muito tempo tive que realizar um poster subjacente a um seminário de Medicina Regenerativa e Engenharia de Tecidos (deixo aqui o link (http://dl.dropbox.com/u/2810/engtecidos.jpg), para os curiosos), que tinha tudo a ver com a notícia que referes.

Com efeito, este género de trabalhos são a ponta do iceberg; só agora se começam a compreender as finas interacções entre o meio e a célula.

Por exemplo, gémeos verdadeiros têm impressões digitais diferentes, embora tenham por definição a mesma informação genética.

As impressões digitais são portanto uma característica multifactorial (uma componente genética e ambiental) e postula-se que uma das determinantes é a interacção física do feto com as estruturas de suporte in utero que determina o seu padrão único.

Numa linguagem simples, a força e posição com que o feto desloca os seus dedos sobre a parede uterina (através de uma interface pelo saco amniótico bem entendido) acabam por determinar os diferentes padrões de migração celular que criam a impressão digital.

Quem sabe se este tema não motivará um post lá no meu tasco um dia destes!

Abraço,


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