Twitter, essa bela plataforma de exibicionismo
Depois de ter lido o post do Pedro Cavaco sobre a possível bolha do Twitter - e dos outros serviços de microblogging, porque existem outros para além deste -, decidi deixar aqui algo em que andei a pensar ontem e que, inclusive, cheguei a mencionar a uma amiga da Qi, a Ana Coelho, embora num contexto diferente.
Fala-se tanto do microblogging, dando normalmente o Twitter como exemplo, como forma de comunicação e divulgação de informação. Dão-se palestras, seminários, escrevem-se livros... Faz-se uma série de coisas sobre isto, mas a grande utilização que eu vejo dar ao Twitter é como plataforma de exibicionismo. Sim, também serve para partilhar conhecimento, divulgar informação, até chega a servir de agenda; mas o facto é que a minha observação deste fenómeno me diz que a utilização mais comum às pessoas que observei - não só e não necessariamente os contactos que tenho neste serviço, mas outros, portugueses ou não - é puramente exibicionista (e eu também o faço): as pessoas querem mostrar-se geeks num determinado campo, fazem eco de algo dito ou escrito por alguém considerado popular (carneiradas), mostram que são uns bacanos porque fizeram aquilo que toda a gente faz por ser moda (carneiradas), gostam de mostrar que têm isto ou aquilo (carneiradas)... a lista continua. E quando este serviço se começar a tonar mais popular, talvez o próximo HI5, isto vai ser tão visível que vai ser impossível negá-lo.
Como já escrevi no parágrafo anterior, eu também uso o microblogging como plataforma exibicionista - também tenho a minha auto-estima e o meu orgulho e gosto de exercitar esses "músculos" de vez em quando. Também o uso para partilhar coisas que vou encontrando por esta net fora e acho que são porreiras para partilhar; costumo usar estes serviços para chamar a atenção para a existência do software livre e para alguns projectos meus ou em que participo. Não sou assim tão diferente dos outros utilizadores deste tipo de serviços, com as seguintes diferenças: eu não tenho problemas em chamar àquilo uma plataforma de exibicionismo, não passo a vida a fazer-me passar por expert numa merda qualquer, estou-me bem a cagar para as carneiradas e não assumo uma identidade virtual diferente da real (aquilo que lêem é um reflexo de mim e não de uma identidade criada para agradar e parecer um porreiro [what you read is what you get]).
Resumindo: como tantas outras formas de comunicação, o microblogging é mais uma com muito potencial, mas que acabou por sucumbir à natureza humana.
Agora, venham de lá essas tochas, balas, facas, espadas, e palamadinhas nas costas. Isto é, venham de lá essas opiniões. Os comentários estão abertos para isso mesmo: receber feedback.
ps: eu não acho que o problema é da plataforma. que isso fique bem claro
Mas é MUITO redutor do universo que rodeia o twitter.
É também possivelmente a principal plataforma de stress relief a q os trabalhadores de open spaces por esse pais tem acesso sem sair do computador.
Isso e muito mais.
É a rede social mais organica, interessante e instantanea de que tenho conhecimento desde o auge do IRC, na minha opinião.
E como respondi em reply pra ti, pra mim é a natureza humana é q molda o lado mais fascinante do twitter.
Quanto à utilização de "identidade virtual" sempre existiram, muito antes de existir a internet. Podes encontrar as minhas várias identidades virtuais por ai na interwebs (o meu friendfeed talvez te facilite o processo :P ). Também respondo sobre o nome de Alexandre Antunes, o de baptismo :P
Anyway... este post é provocador, por isso vi-me impelido a responder de forma mais desenvolvida. Ainda assim... cheguei aqui graças ao twitter, eheh
Eu usei o Twitter como exemplo para o microblogging. Podia ter usado outra plataforma, mas esta é capaz de ser a mais conhecida dos utilizadores portugueses. Para facilitar a identificação e contextualização, usei esta.
Eu não procuro reduzir a utilidade do Twitter nem do microblogging. Como refiro no penúltimo parágrafo, o microblogging tem muito potencial. Infelizmente, é mais uma vítima da natureza humana - que tem sempre um lado bom e um lado mau.
Quando ao exibicionismo, eu não digo que é transversal a todos os utilizadores. Disse-o com base naquilo que observei em 12 a 14 meses de utilização do microblogging. Há sempre alguém a tentar passar uma mensagem do género: «olha para mim, que sou tão bom por ter isto ou fazer aquilo». Às vezes apetece-me armar em Chato, d'Os Contemporâneos, e responder: «Vai mas é trabalhar, fazer algo de útil para a sociedade». xD
As identidades virtuais a que me refiro é moldarem-se para tentar agradar (às vezes, quase parece prostituição). É desonesto, como é praticamente toda a internet. Eu prefiro ser uma besta (para algumas pessoas, sou bem pior que besta), mas continuar a ser eu; não gosto de me passar por algo que não sou. Não sei se é o teu caso ou não, mas o meu não é de certeza, como poderás vir a constatar se te cruzares comigo em Coimbra B. ;)
nao toda :P
mas sim, não tinhas deixado bem explicito alguns dos teus pontos de vista.
sabes onde encontrar-me no twitter ;)
eheh
Para ser sincera, aderi ao Twitter para gozar com a Vanessa, mas depois fui aproveitando para pedir palpites sobre isto e aquilo ou a dar a minha opinião sobre temas falados.
Pelo que observo, muitas vezes é conversa da treta, mas outras vezes até se pode ver coisas interessantes... (:
Beijinho*
A conversa da treta às vezes incomoda. Parece que era preciso que aquilo fosse um pouco mais seco (mais partilha - links, ideias, etc. -, menos conversa) mas algumas coisas surgem assim mesmo, da tal característica orgânica.
Muitas vezes, as pessoas participam mesmo sem ter nada a acrescentar. Perdem tempo e fazem os que os seguem perder tempo. Isso é chato mas não é sequer surpreendente.
É internet as usual, se é que se pode dizer isto.