26/11/2008

À MAPiNET - porque não gostamos de meias verdades


Este artigo é da autoria de Marcos Marado, e representa a sua opinião sobre os assuntos aqui tratados. O artigo está aqui publicado segundo uma licença CC-BY PT. Em resposta ao artigo sobre o movimento MAPiNET, publicado hoje no Público, tenho a dizer:

A pirataria na Internet, sobretudo de filmes e música, tem causado o encerramento de pequenas empresas e a perda "acentuada" de ganhos

Imensos estudos se têm debruçado sobre este tema, e nunca se conseguiu chegar a uma conclusão. Pelos vistos há um novo estudo que já consegue concluir que existem pequenas empresas que encerraram ou tiveram "perdas acentuadas" devido à pirataria na Internet. Dêem-me os dados. Apresentem provas.

Segundo Alexandre Bravo, os cinemas perderam um milhão de espectadores em 2008, ano em que também fecharam 300 clubes de vídeo. Já a venda de música passou a gerar menos 60 por cento de receitas e terão sido perdidos cerca de metade dos postos de trabalho no sector nos últimos anos. E até a indústria livreira "começa a sentir um bocadinho na pele" os efeitos dos downloads ilegais.

Demagogia. Até hoje, e mais uma vez, ainda nunca se conseguiu arranjar um estudo de aprovação consensual que conseguisse relacionar "downloads ilegais" com "diminuição de vendas e receitas". Caso, mais uma vez, a MAPiNET tenha acesso a um novo estudo apresentando tal relação, que mo mostrem. Dêm-me os dados. Apresentem provas.

Paulo Santos, um dos porta-vozes do movimento anti-pirataria, criticou ainda o facto de a legislação portuguesa (desta feita através de um diploma que tem apenas quatro anos) classificar os dados de tráfego (informação que ajuda à identificação de um utilizador da Internet) como dados pessoais: "Confunde-se o conceito de meio com o conteúdo das comunicações." Com esta legislação, argumenta, é "praticamente impossível" combater o download de ficheiros ilegais.

Caríssimo, os "dados de tráfego" são dados pessoais, visto serem relativos a comunicações privadas, tal como são os registos das chamadas telefónicas. Não queremos nem devemos ceder os nossos direitos, as nossas liberdades e a nossa privacidade.

Esta solução implica a colaboração dos fornecedores de acesso, que são normalmente acusados pelos defensores dos direitos de autor de não quererem restringir ou vigiar a utilização das ligações que vendem para não afastar clientes.

E porque afasta isso os clientes? Será porque as pessoas não querem ser vigiadas, não querem perder a sua privacidade?

Paulo Santos admitiu ainda que o sector vai ter de se adaptar aos tempos digitais, mas que essa mudança deve ser feita "naturalmente" e não por força da pirataria.

Não terá, por acaso, a pirataria aparecido "naturalmente"?


Em suma, acredito que:

  • A MAPiNET baseia-se em dados meramente especulativos, nunca os justificando com dados
  • A MAPiNET tenta passar a ideia de representar a "indústria da cultura"
  • A MAPiNET tenta ocultar o seu verdadeiro objectivo, , exposto anteriormente, de tentar com que a aprovação do Pacote Telecoms seja feito sem a emenda 138
  • A emenda 138 do Pacote Telecoms é fundamental para que os direitos consagrados pela Carta de Direitos Fundamentais da EU não sejam ignorados, como explicado neste apelo

Para que não fique nada por esclarecer, cito-vos a emenda 138 do Pacote Telecoms:

aplicando o princípio de que nenhuma restrição pode ser imposta nos direitos e nas liberdades dos utilizadores finais, notavelmente de acordo com o artigo 11 da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia sobre a liberdade de expressão e informação, sem decisão anterior por autoridades judiciais, excepto quando ditado por força maior ou pelos requisitos para a preservação da integridade e segurança da rede, e sujeito a provisões nacionais da lei criminal impostas por razões de política pública, segurança pública ou moral pública.

É isto que a MAPiNET quer retirar da Lei? O requisito de ser uma Autoridade Judicial a decidir em que casos os direitos e as liberdades dos cidadãos podem ser restritos? Eu digo NÃO.




46 comentários:
De Luis Gonçalves a 26/11/2008 às 19:25
O seu argumento de defesa é a palavra "privacidade". Então aqui fica uma pergunta. No último ano quantos downloads ilegais fez? É que precisamos de actualizar os dados do MAPiNET, uma vez que os dados apresentados, para si, são falsos.


De Mind Booster Noori a 26/11/2008 às 21:03
Onde estão os "dados apresentados"? Ainda não vi nenhums. E a resposta, quanto a mim, é "zero", eu não cometo ilegalidades.


De Nuno Pereira a 27/11/2008 às 19:28
Você já viu mas continua a dizer que não vê.

Já agora como explica que, em 7 anos, a industria fonográfica perdeu 60% da facturação?


De brunomiguel a 27/11/2008 às 20:16
O mundo mudou e eles não acompanharam a mudança.


De Mind Booster Noori a 27/11/2008 às 21:03
"Você já viu mas continua a dizer que não vê."


Não vi não, a não ser que se esteja a referir àqueles pseudo-dados de um site em Francês, que estava, esse próprio site, a descredibilizar os dados, dizendo que não podem ser considerados factos, e do qual eu refutei, até agora sem resposta.

Já agora como explica que, em 7 anos, a industria fonográfica perdeu 60% da facturação?


Há muitos factores, isso é bem fácil (mas moroso) de explicar. A explicação está facilmente acessível na internet, basta ir à sua procura. Visto que não faz parte do âmbito deste post - visto que isso nada tem a haver com a emenda 138 - vou-lhe apenas dizer isto: a indústria discográfica está a ter mais perdas que nunca, mas a música está a gerar mais volume de negócio e receitas que nunca, também. A diferença é que o dinheiro deixou de vir dos mesmos sítios, das mesmas pessoas e para os mesmos bolsos. Qualquer indústria está em constante evolução. Quem não se actualiza deixa-se ficar para trás.


De brunomiguel a 26/11/2008 às 21:06
Até parece que a privacidade é coisa que não interessa a ninguém...


De Nelson a 26/11/2008 às 19:48
Passa pelo blog para ficares também com a minha visão das coisas.

Cumps,


De E.S. a 27/11/2008 às 02:39
Concordo 100%.

Tenho pena que ninguém em Portugal faça frente a estes gajos.

Acho que se devia gerar um movimento cívico de internautas para repor algumas verdades.


De Nuno Pereira a 27/11/2008 às 15:33
Quais verdades? Que se podem fazer downloads ilegais sem quaisquer consequências? Que fecharam 300 videoclubes? Que já ninguem vai a um video clube mas continuam a utilizar o DVD para ver filmes?
Que as pessoas falam sem pudor que já têm um filme que ainda não há em DVD?

O que vocês querem é continuar é a ver filmes e a ouvir música e esperar que osoutros continuem a pagar. O regabofe vai acabar...


De Mind Booster Noori a 27/11/2008 às 16:57
Que se podem fazer downloads ilegais sem quaisquer consequências?

Isso não é verdade, os downloads ilegais são puníveis por lei.
Que fecharam 300 videoclubes?

Há provas que relacionem isto com a pirataria? Quais?
Que já ninguem vai a um video clube mas continuam a utilizar o DVD para ver filmes?

O que é que isso tem a haver com pirataria?
Que as pessoas falam sem pudor que já têm um filme que ainda não há em DVD?

E porque é que haverão todos de se ver privados dos seus Direitos Fundamentais porque há quem pirateie?
O que vocês querem é continuar é a ver filmes e a ouvir música e esperar que osoutros continuem a pagar.

Errado: o que eu quero é continuar a ter os meus Direitos Fundamentais garantidos. Não sou contra o Pacote Telecom, sou contra a remoção da emenda 138.


De E.S. a 27/11/2008 às 17:20
Nem me dou ao trabalho de responder a tais argumentos, Nuno Pereira.

Todos os argumentos que vc e outros apresentam são SEMPRE parciais e duvidosos, quando não são totalmente falsos. E é essa areia que querem mandar para os olhos das pessoas, fingindo-se os Sr Justiceiros, em nome da verdade e da justiça lolol. Em geral, vcs dividem-se em 2 grupos: os que querem ganhar cada vez mais dinheiro, não olhando a meios para atingir esse fim; e uns mais inocentes, que em alguns ramos de negócio pensam que a pirataria é o mal de todos os seus pecados, mas ainda nem pensaram SERIAMENTE no que dizem da boca para fora...


De Nuno Pereira a 27/11/2008 às 17:44
Qual foi a ultima vez que foi a um video clube?


De Mind Booster Noori a 27/11/2008 às 18:09
Quem não vai a um vídeo-clube é pirata? Se o vosso serviço é cada vez menos atractivo para a população em geral, não chore, actualize-se! Quem tem um negócio devia saber que o mercado não é estanque.


De Nuno Pereira a 27/11/2008 às 17:51
"os downloads ilegais são puníveis por lei"

Quantas pessoas já foram punidas?

"Que fecharam 300 videoclubes?
Há provas que relacionem isto com a pirataria? Quais?"

Acha que as pessoas vão a um video clube alugar um filme que já viram? Está a mandar areia para os olhos de quem?

"Que já ninguem vai a um video clube mas continuam a utilizar o DVD para ver filmes?
O que é que isso tem a haver com pirataria?"

Está a brincar?

"Errado: o que eu quero é continuar a ter os meus Direitos Fundamentais garantidos. Não sou contra o Pacote Telecom, sou contra a remoção da emenda 138."

Sim, então diga-me como resolver o problema da pirataria (e não me mande ler coisas em ingles escritas por si...somos portugueses, falemos em português). Quer manter a emenda 138? Tudo bem, mas aponte uma solução.


De Mind Booster Noori a 27/11/2008 às 18:07
Quantas pessoas já foram punidas?

Quantas é que você já levou a tribunal? Quantas é que você já denunciou? O que é que você já fez para que elas fossem? Nada, não é? Pois, mesmo assim a luta contra a pirataria em Portugal tem funcionado. Aqui tem uma lista com alguns exemplos (http://wwwigac.ml.pt/pagina.aspx?f=1&lws=1&mcna=0&lnc=AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA&codigono=58115814AAAAAAAAAAAAAAAA).

Acha que as pessoas vão a um video clube alugar um filme que já viram?

Isso é um facto? Eu já vi vários filmes mais que uma vez, o seu argumento falhou. Arranje factos.


"Que já ninguem vai a um video clube mas continuam a utilizar o DVD para ver filmes?
O que é que isso tem a haver com pirataria?"

Está a brincar?

Obviamente que não: eu uso DVD para ver filmes, não recorro a um clube de vídeo há anos, e não faço pirataria.

Sim, então diga-me como resolver o problema da pirataria (e não me mande ler coisas em ingles escritas por si...somos portugueses, falemos em português). Quer manter a emenda 138? Tudo bem, mas aponte uma solução.


Uma solução? A implementação do Pacote Telecom, como um todo, incluindo a emenda 138. Para poupar-lhe um passo: se vai argumentar que o Pacote Telecom sem a emenda 138 não enfrenta a pirataria, então justifique. Se continua a dizer coisas sem as justificar, então isto não é uma conversa, porque você se recusa a falar.

Ah, e já agora, não me cabe a *mim* definir políticas para combater a pirataria (apesar de não me importar fazê-lo, é um tema que me interessa desde há anos). Mas cabe-me a mim defender os meus *direitos*, que você está a tentar usurpar através da remoção da referida emenda. Aqui quem está a tentar roubar (aquilo de que vem acusando tudo e todos) é o senhor.


De Nuno Pereira a 27/11/2008 às 19:16
"Quantas é que você já levou a tribunal? Quantas é que você já denunciou? O que é que você já fez para que elas fossem? Nada, não é? Pois, mesmo assim a luta contra a pirataria em Portugal tem funcionado. Aqui tem uma lista com alguns exemplos (http://wwwigac.ml.pt/pagina.aspx?f=1&lws=1&mcna=0&lnc=AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA&codigono=58115814AAAAAAAAAAAAAAAA)."

Esses dados são relativos a pirataria física! Refiro-me a downloads ilegais!! Quantas pessoas já foram punidas? E acha que não se apresentaram queixas? Apresentaram, mas são arquivadas porqeu em Portugal não se pode investigar este tipo de crime! É legalmente IMPOSSIVEL!!! Equipara-se o trafego de internet ás escutas telefonicas, o que não permite que se investigue o crime de usurpaçao porque a moldura penal não o permite! J´que é um estudioso do tema, devia saber isso.

"Isso é um facto? Eu já vi vários filmes mais que uma vez, o seu argumento falhou. Arranje factos."

É um facto! As pessoas não alugam filmes que viram na candonga pouco tempo antes. É um facto!

"Obviamente que não: eu uso DVD para ver filmes, não recorro a um clube de vídeo há anos, e não faço pirataria"

Fiquei interessadissimo...você vê o quê?

Mais uma vez não apontou nenhum caminho de resolução do problema, sim porque o Pacote Telecom não tem como missão combater a pirataria.

Qual é a solução para que os filmes estejam na internet antes de estarem nos cinemas?


De Mind Booster Noori a 27/11/2008 às 20:54
Esses dados são relativos a pirataria física! Refiro-me a downloads ilegais!! Quantas pessoas já foram punidas?

Isto é pirataria física? (http://wwwigac.ml.pt/?cr=8451) E o software apreendido aqui? (http://wwwigac.ml.pt/paginaRegisto.aspx?id=8250) No primeiro semestre de 2008, só com o apoio da IGAC, foram feitas 159 inspecções relacionadas com a pirataria informática, com um resultado de 36.5% dessas inspecções a resultarem na prova de ilicitude. Estamos a falar de 23.600 ficheiros audio ilegais, por exemplo. Houveram 177 audiências de julgamento planeadas, das quais 144 realizadas. Ah, e, acima de tudo, quero destacar que TODOS ESTES VALORES estão disponíveis via aquele link que te apontei, aquele ao qual respondeste "isso é pirataria física".

E acha que não se apresentaram queixas? Apresentaram, mas são arquivadas porqeu em Portugal não se pode investigar este tipo de crime! É legalmente IMPOSSIVEL!!! Equipara-se o trafego de internet ás escutas telefonicas, o que não permite que se investigue o crime de usurpaçao porque a moldura penal não o permite! J´que é um estudioso do tema, devia saber isso.


Conheço suficiente do tema para saber que isso não é verdade. Mas visto que você declara que "não se pode investigar esse tipo de crime" (indo contra os dados referidos por mim anteriormente, mas ainda assim), que é "legalmente impossível" (apesar de haver legislação, recorrentemente usada, que define que um mandato pode exigir aos ISP's entregarem os dados recolhidos sobre um determinado cliente, ou mesmo começar a recolhê-los -- porque é óbvio que se está a referir a esse tipo de recolhas e investigação), então terei de lhe pedir que, tal como eu tenho feito, documente as suas afirmações e explique aqui porque é que isso é "impossível", exemplificando o tal "impedimento de investigação" que refere.

As pessoas não alugam filmes que viram na candonga pouco tempo antes. É um facto!


Se é um facto, pode prová-lo. Faça-o.

Fiquei interessadissimo...você vê o quê?


Não que você tenha algo a ver com isso, mas posso-lhe dizer que além de séries, que é o que mais costumo ver (Poirot, My Family, para lhe dar alguns exemplos), alguns filmes que vi recentemente foram "Media Magica: Beyond the Image" (Cinemateca), Traffic (do fabuloso Jaques Tati, em DVD), "Billy Elliot", do Stephen Daldry, também em DVD e que conto voltar a ver porque gostei mesmo muito, e, olhe, até um que lhe vou recomendar: "Steal This Movie II", um filme gratuito, legalmente descarregável do site oficial (http://www.stealthisfilm.com/Part2/), que fala, exactamente, sobre pirataria.

Mais uma vez não apontou nenhum caminho de resolução do problema, sim porque o Pacote Telecom não tem como missão combater a pirataria.


O Pacote Telecom não tem uma única missão. Mas tem também como missão o combate à pirataria. É fácil chegar lá, basta ler o texto. Já o fez? Mas pergunto mais: se o Pacote Telecom não serve também para combater a pirataria, porque é que um movimento anti-pirataria está a fazer lobby para a sua aprovação?

Qual é a solução para que os filmes estejam na internet antes de estarem nos cinemas?


Não é exequível a *prevenção* de um acto ilícito. Você não pode garantir que ninguém é assassinado, faça o que fizer. A lei, e as acções passíveis de implementar, são sempre, no final, punitivas. Mas diga-me lá então você: como é que a emenda 138 muda de tal forma o Pacote Telecom que passa a conseguir prevenir que os filmes estejam na Internet antes de estarem nos cinemas?


De E.S. a 27/11/2008 às 18:14
Nuno Pereira,

Por acaso teve azar no timing. Este fds aluguei 4 filmes para uma maratona de cinema em familia (mas n conseguimos cumprir o objectivo eh eh).
Mas suponho que queira saber a frequencia com que vou ao clube de video. Efectivamente, confirmo que vou lá menos vezes do que ia há uns anos. Mas a meu ver, isso deve-se a outros factos:
No outro dia fui ao meu clube video à procura de um filme blu-ray para estrear a minha PS3 e o cinema de alta definção em casa. Sabe quantos filmes estavam disponiveis? um!! Passado coisa de 1 ou 2 meses, voltei lá com o mesmo propósito. Já haviam 4... mas so 2 mais ou menos recentes.
Outra razão é a ascensão das séries. Para mal dos meus pecados, não ha meios de as alugar. E comprar uma temporada qualquer de uma série sai me caríssimo, pelo que só em alturas como o Natal me dou a esse luxo.
Mais uma razão: Cada vez os filmes demoram mais tempo a chegar aos clubes de videos, e é quando chegam... enquanto que existem canais de TV privados que, para quem pode, têm todos os melhores e mais recentes filmes...


De Nuno Pereira a 27/11/2008 às 19:24
Fico contente que tenha ido a um Video Clube este fim de semana. Sem ironias.

"No outro dia fui ao meu clube video à procura de um filme blu-ray para estrear a minha PS3 e o cinema de alta definção em casa. Sabe quantos filmes estavam disponiveis? um!! Passado coisa de 1 ou 2 meses, voltei lá com o mesmo propósito. Já haviam 4... mas so 2 mais ou menos recentes"

Em primeiro lugar devo alertá-lo que muitos dos titulos que existem para venda em Blu-Ray, ainda não existem para aluguer. Depois, dizer que o Blu Ray ainda não está suficientemente implementado nas casas portuguesas o que acarreta que a compra de um filme em Blu-Ray é um prejuizo para o VC. Isto não seria um problema se o mercado de aluguer de DVDs colmatasse essas percas, mas, POR CAUSA DA PIRATARIA, isso não acontece.

"Outra razão é a ascensão das séries. Para mal dos meus pecados, não ha meios de as alugar."
Aqui concordo consigo! É uma vergonha as editoras inibirem os consumidores de poderem alugar as séries. Os video clubes puseram a IGAC em Tribunal por causa disso.

"Cada vez os filmes demoram mais tempo a chegar aos clubes de videos, e é quando chegam... enquanto que existem canais de TV privados que, para quem pode, têm todos os melhores e mais recentes filmes..."

Está enganado...cada vez os filmes demoram menos a chegar aos VC. Já ha casos que o tempo entre o cinema e o VC foram de 2 meses. Normalmente são 4. Não sei se é do seu tempo, mas no tempo do VHS eram quase 12 meses.
Que TVs privadas são essas?


De Mind Booster Noori a 27/11/2008 às 21:29
Isto não seria um problema se o mercado de aluguer de DVDs colmatasse essas percas, mas, POR CAUSA DA PIRATARIA, isso não acontece.


Tem dados que comprovem que a pirataria é a causa do decréscimo de lucros dos VCs? Ou isto é apenas uma convicção sua?


De Manuel a 28/11/2008 às 00:53
Já agora é engraçado ver a forma desinteressada como algumas pessoas fazem a defesa de determinadas posições. Imaginem alguém que trabalha numa ISP. Tem um alto cargo na mesma. Desenvolveu um sistema de partilha de ficheiros para essa empresa que está, como é normal, muito interessada no seu desenvolvimento. Como é natural o “criador” quer é que a sua “criação” tenha o maior sucesso. Pergunta-se: Que tipo de posição é que a criatura haveria de defender? Que interesses é que a empresa para a qual o Sr. trabalha haveria de defender? Como sempre, “branco é, galinha o põe”.


De Mind Booster Noori a 28/11/2008 às 10:11
Já agora é engraçado ver a forma desinteressada como algumas pessoas fazem a defesa de determinadas posições. Imaginem alguém que trabalha numa ISP. Tem um alto cargo na mesma. Desenvolveu um sistema de partilha de ficheiros para essa empresa que está, como é normal, muito interessada no seu desenvolvimento. Como é natural o ¿criador¿ quer é que a sua ¿criação¿ tenha o maior sucesso. Pergunta-se: Que tipo de posição é que a criatura haveria de defender? Que interesses é que a empresa para a qual o Sr. trabalha haveria de defender? Como sempre, ¿branco é, galinha o põe¿.

A única coisa engraçada que aqui vejo é você a nunca responder as perguntas que lhe colocam. Eu trabalho num ISP, não tenho "alto cargo" no ISP, trabalho numa área técnica e não legal ou comercial, não fesenvolvo nenhum sistema de partilha de ficheiros para essa empresa (nem tenho conhecimento de nenhum sistema P2P criado neste ISP), e aquilo em que estou "muito interessado" é nos meus direitos e nas minhas liberdades. Como sempre "MAPiNET é, especulação sem dados e fundamentos diz".

Se me quer provar errado, se quer defender a sua posição, se acha que tem razão, porque não o faz? Porque não começa, logo, por dar os dados que peço no artigo:

* onde estão os dados das pequenas empresas que alegadamente encerraram ou tiveram "perdas acentuadas" devido à pirataria na Internet?
* onde estão os dados que provam que há uma relação entre "downloads ilegais" e "diminuição de vendas e receitas"?
* o que é que a emenda 138 tinha no seu texto que impedia a "luta à pirataria"?

Tudo o que não sejam respostas a estes items, é outra vez você a fugir às questões.


De Nuno Pereira a 28/11/2008 às 17:12
Faço aqui mea culpa. Realmente deveria ter estudado primeiro o seu curriculo para perceber que, afinal, você está aqui apenas para defender a sua entidade patronal que lhe paga, e bem. Claro que os grandes beneficiários deste estado de coisas são os ISPs, que capitalizam lucros à custa do mercado do audiovisual e você, para que continue a ser bem pago, tem que defender essa posição.

Para mim, a partir do momento que sei que você trabalha para os ladrões mor, os ISPs, a nossa conversa acaba aqui.

Já lhes foram dados todos os números possiveis e você continua a dizer, qual mula, "factos, factos"

Se os pescadores saissem para a faina e quando voltassem vissem que estao a distribuir peixes gratuitamente e que as suas vendas desceriam para 0, o Marcos ainda assim queria que lhe provassem que o facto dos pescadores nada venderem tinha tido como razao o facto de alguem distribuir peixes gratuitamente.


De Mind Booster Noori a 28/11/2008 às 17:53
Realmente parece-me que esta conversa de nada serve visto ser conversa de mudos. Como não sabe justificar a sua posição, decide atacar os outros, de todas as maneiras. Quando tiver alguma coisa *válida* a apontar, como por exemplo responder aos pontos que foram levantados, força. Até lá, tudo o que aqui está a escrever é lixo.

Já lhe disse mas repito: estou a escrever aqui como cidadão e artista, não como funcionário da minha entidade empregadora. Falo em nome individual, e a opinião aqui apresentada não representa, de forma alguma, a opinião da minha entidade empregadora. Mas se insiste mesmo neste facto, então permita-lhe relembrar-lhe que a minha opinião aqui expressa é apoiada por várias outras pessoas que aqui têm comentado, incluindo o dono deste blog, e que - até onde sei - não trabalham em ISP algum.

Claro, agora a culpa a pirataria é dos ISPs. Por mim, olhe, atire a culpa a quem quiser. Visto que a discussão não se trata de "culpas" mas sim das afirmações publicamente feitas pela MAPiNET, especulativas e sem provas para as sustentar.

Quanto a essas provas, os "dados" que você "diz que deu", relembro-lhe que estamos a falar de um link que você forneceu, e que eu rebati (ou melhor, destaquei o facto do link dizer basicamente "olhem para estes números idiotas que inventaram!"), comentário esse que até agora não obteve resposta.

Se não sabe argumentar, cale-se.


De madskaddie a 28/11/2008 às 11:09
"""Imaginem alguém que trabalha numa ISP. Tem um alto cargo na mesma. Desenvolveu um sistema de partilha de ficheiros para essa empresa que está, como é normal, muito interessada no seu desenvolvimento. """


Oh meu "amigo", o que o senhor não percebeu é que a comoditização da tecnologia (acesso das massas à mesma) tem sempre as suas vítimas. Neste caso serão os VC tradicionais. Vou-lhe dar um exemplo: o que vai acontecer aos senhores das casas fotográficas??? Vão desaparecer devido ao advento da fotografia digital (que carece de necessidade de revelação).

O senhor acusa a pirataria de matar o seu modelo, mas os ISPs terão todo o gosto em "mata-lo" legalmente: o clix (e outros) já alugam filmes on demand. Sem sair de casa, sem piratear, com definição mais que suficiente. E amanha, para reduzir a largura de banda utilizada, vão usar os pares (p2p) para distribuição legal (é uma questão de tempo).

Entretanto e devido a teimosias como o senhor está a ter, morrem os estados de direito: caro, estamos a falar do caminho em direcção a ditaduras (você sabe que o Hitler foi eleito democraticamente??). Um dos passos para tal acontecer (ditadura) é deixar de ser necessário um tribunal para haver condenação. Sabe qual a diferença entre uma prisão e um campo de concentração? Os presos são julgados. Num tom metafórico, falo de campos de concentração de pessoas com acesso cortado .É disto que falamos. É deixar de haver privacidade (as pessoas tendem a fazer o que é socialmente bem visto, no lugar do querem ou que pensam estar de acordo, terrorismo social).

Tecnicamente também lhe posso dizer que não existe até à data, qualquer tecnologia que seja 100% eficaz a detectar "conteúdo ilegal" por isso, vão haver cidadãos com acesso cortado indevidamente (campos de concentração virtuais). Até porque não há maneira de dizer a um filtro "isto é fair use". Se lhe disseram que tal coisa existe, tente pensar um pouco para perceber que é _impossível_.


Tentei ser o mais pedagógico possível, espero que tenha a mente aberta o suficiente para perceber que errou e contribuiu com a sua manifestação, para uma sociedade reprimida.

Bem haja,

Gil Brandão


De Carlos a 28/11/2008 às 11:55
Eu não vou a um clube de vídeo à mais de 10 anos acho eu....
E não vou porquê? Porque entre alugar um filme a 3 euros e esperar uns tempos para o comprar a 8 ou 9 euros prefiro comprar o dvd. Conheço muitos casos como o meu logo a não afluência ao Clube de vídeo, não é por pirataria.
E hoje em dia porque ir ao clube de vídeo quando no MEO (ou zon) o posso alugar em casa ? Isso também não é pirataria mas faz como que não vá ao clube de vídeo..
A Blockbuster já lançou um serviço de aluguer de vídeo em casa (EUA)... isso vai fazer com que os clubes de video tenham menos afluência, e mais uma vez não é devido a pirataria..

E eu já agora que tenho mais de 700 filme originais, também sou roubado pelas editoras... sabem porquê? Porque um filme sai e pedem absurdos como 25 euros por um filme.... e passado pouco tempo os mesmo estão a 8 ou 9 euros...
Porque é que as editoras não inovam? porque eu não compro um filme original por metade do preço na Internet atráves de download? Eu até sei porque depois era absurdo continuarem a pedir 25 euros por eles...

Eu sou contra a pirataria de quem ganha com isso... mas também sou contra o roubo das editoras para com os clientes...


De Mind Booster Noori a 28/11/2008 às 15:36
Ainda em relação aos clubes de vídeo, para quem esteja curioso, deixo-vos uma reflexão sobre o porquê de eu já não ir aos VC's (http://mindboosternoori.blogspot.com/2008/11/why-i-dont-rent-movies.html).


De Nuno Pereira a 28/11/2008 às 17:37
Para que saiba, o preço corrente dos video clubes é 2,5 para novidades. Obviamente nao estou a falar da Blockbuster. Como vê, depois de 10 anos sem ir ao video clube, afinal a inflação foi menor do que aquilo que pensava.

A argumentação é muito fraquinha. O Sr. não dá 2,5 para ver um filme em casa, mas espera 1 ano para o filme ficar a 8 euros e depois compra-o sem ver? Então e se o filme for uma porcaria? Esteve 1 ano para o ver, gastou 3 vezes mais e ainda fica um mono em casa.

Os MEOs? Então 2,5 é muito, mas alugar um filme a 3,5 já está bem? E ainda por cima filmes que já estão no video clube há, pelo menos, 2 meses. E atenção...3,5 agora que os video clubes ainda existem. Esperem que os patroes do Mind Booster conseguirem o que procuram, e, depois de acabarem com os video clubes e fecharem a torneira da pirataria (logo que eles queiram, fazem-no) vocês vão ver quanto vai custar o VOD. Ah, e o MEO tem 1 ano, para quem não vai a um VC há 10...

Quanto aos 25 euros, é o preço deles, fazer o quê? Querem assim, compram, não querem esperam e compram mais tarde a preço reduzido (como você faz).
Só acho curioso é reclamar-se tanto do preço dos filmes e dos CDs mas não reclamarem dos preços dos ISPs. Têm como único trabalho ligar o computador à rede. Absolutamente mais nada. Os conteudos não são deles, é bom não esquecer. Você só paga para se ligar à rede. Esse serviço é mais caro que ter gaz em casa, ter agua em casa ou ter luz em casa. Mas isso tudo bem...


De Carlos a 28/11/2008 às 18:39
Orá bem... antes de mais HAHAHAHAHAHAH

Agora respondendo.... O clube que eu era sócio é o Blockbuster como tal esse é o meu termo de comparação. Gostei de ver você não responder como a Blockbuster está a tentar a volta a coisa... e a adaptar-se a realidade, do mercado. Mas se calhar é por não serem portugueses que agem assim. Inovam não ficam sentados à espera de falirem para depois chorarem.

Já agora dos filmes pirateados quantos afretam directamente os autores portugueses? Certamente tem essa informação visto ser tão informado.

Eu espero o tempo que quiser para ver um filme, e logicamente, ainda que poupando 3x mais o resultado pode ser igual ao seu exemplo que é o filme não prestar... portanto o seu argumento é que possivelmente é uma treta. E já agora quem disse que eu não o vi antes? Quantos filmes são colocados em DVD com X anos, como por exemplo o Padrinho.... Se calhar vc é que não compra DVD´s

Quando falei dos MEO´s ao qual acrescento a Telecine, falei numa coisas que se chama evolução do mercado que me permite alugar ou ver o filme sem ter de apanhar uma molha como aconteceria hoje. Chama-se a isso conforto, se as pessoas estão dispostas a isso, aponta-se a culpa à pirataria?

Não compreendo essa da Mind Booster fechar a torneira a pirataria... o problema principal da pirataria, penso que seja os filmes que estão no cinema ou que ainda estão por estrear. Sim porque quem é que vai comprar um filme que está no cv? só se não tiver gravador de dvd e for mesmo Toni.
E já agora quando os filmes são pirateados, antes de sair no cinema, é porque alguém das organizações(empresas) ou críticos ou jornalistas, os desviaram... não são esses os primeiros criminosos? Nunca vi no vosso discurso a criticar essas pessoas.

Respeito que seja contra a pirataria mas um comentário como o que vez "Quanto aos 25 euros, é o preço deles, fazer o quê? Querem assim, compram, não querem esperam e compram mais tarde a preço reduzido (como você faz)." mostra claramente que você não é normal. Defende os barões mas não se mistura com o proletariado... E ao mesmo tempo está a agradecer aos "Otarios" que compram os Dvd´s a €25. Já agora quantos DVD´s tem o senhor? Porque não diz também. Se é uma defensor da arte deve comprar e não ver e deitar fora, porque a arte é para manter e ver quando quisermos.

Penso que é uma máquina de propaganda cega tipo "camarada" mete a sua cassete, e blá blá lbá....por falar nisso pq é que vocês nunca apareceram no tempo do VHS ou K7??). Ah pêra possivelmente porque o vc nessa altura grava os filmes no vídeo, e as k7 da rádio para dar a namorada, mas... isso são outros tempos claro....

Já agora qual é a seu conhecimento de ISP´s? Para falar assim de uma maneira leviana?

E subscrevo outros comentários onde estão as suas provas? Vc argumenta contra mim que conto o meu caso com "postas de pescada" não com dados concretos.

E volto a repetir quantos DVD´s portugueses foram afectados por pirataria, sim porque com o mal dos outros países posso eu bem...


De Nuno Pereira a 28/11/2008 às 19:26
Só para que saiba, a Blockbuster em Portugal é dirigida pela empresa Lano Video. Empresa nacional.
Sim senhor, a Blockbuster inovou porque não é portuguesa. Se você fosse espanhol já não alugava mais filme nenhum na Blockbuster. Em Espanha faliu!

Não sei porquê que teve que ir buscar a Blockbuster Americana. Podia ir buscar os 100% portugueses:

http://www.mooxuu.com/
ou
http://www.cineteka.com/

E acha que o problema deles está resolvido? Desconfio que não...

Quanto ao resto da argumentação (DVDs portugueses, K7...) é muito confusa. O Carlos é só um jovem ingénuo que pensa que os ISPs são os bacanos que permitem que você possa ver o que entender sem ter que pagar nada... Um dia ainda se vai lembrar desta nossa conversa


De Carlos a 28/11/2008 às 20:17
Não mer respondeu a uma questão que levantei duas vezes... "Quantos DVD´s portugueses foram afectados por pirataria" ou menos afluencia aos cv? Eu acho que tenho os filmes todos k me intressam em dvd originais e ao tal preço de 8 a 10 euros...

A questão que levantei das K7 e vhs é pq esta história não é nova a industria já tentou na altura processar a sony, em vão por causa do betamax... e sim eu sou do tempo do betamax e não um jovem ingénuo ;)


De Paulo Querido a 28/11/2008 às 19:54
Bruno, prefiro, se não te importas, esta versão com menos caralhada. Saíu-me....

É um azar enorme, o que estes idiotas da MAPiNET têm. Cá vai, para iluminação dessas mentes escuras.

Não baixo nada pirata. Baixei do Naptster para efeitos profissionais (sou jornalista).

Vejo cinema como sempre vi: na sala, no cabo e no videoclube. O meu consumo de videoclube diminui em talvez 25% ao longo dos últimos 20 anos na medida em que tenho menos tempo para o cinema, existindo mais alternativas de entretenimento.

O mesmo posso dizer sobre música, com uma agravante: deixei de todo em todo de ouvir rádio, para ter playlists vou à net onde tenho pessoas muito mais interessantes para descobrir.

Há 5 anos que não uso software ilegal. Para desespero da Microsoft e dos fabricantes desse software, uma vez que passei a usar Linux, Macontish e em termos de programas uso as alternativas, recomendo as alternativas, distribuo as alternativas, promovo as alternativas.

Sou autor. Tenho livros publicados. Sou sensível à questão dos direitos. Sou também sensível às artimanhas de advogados e comerciantes que abusam do nome dos autores e ,tirando partido da ignorância dos media e da paciência dos políticos, promovem acções terroristas sobre eles.

É fácil combater a pirataria. A ASAE fá-lo. Vão para as feiras e apreendam o material. A polícia tem métodos e leis. Mas vocês, como bons terroristas, fazem passar a ideia, falsa, de que vivemos numa anarquia legal sobre a matéria e precisamos de um tipo de policiamento absolutamente discricionário, exercível por um desconhecido qualquer que a sociedade não controla, a sociedade não mandatou.


De filmeskeuvi a 28/11/2008 às 20:25
Clap... Clap... curto e grosso!


De brunomiguel a 28/11/2008 às 20:37
Eu por mim até tinha aprovado os dois. :)


De Nuno Pereira a 28/11/2008 às 21:59
Em primeiro lugar, dizer-lhe que se os números dos video clubes tivesse descido 25% em 20 anos, certamente que não haveria problema nenhum, seria consequencia da maior oferta de entretenimento, algo natural. Infelizmente os números não são esses, andam muito, mas muito longe disso.

É adepto do freeware. Óptimo! Alguem poe em causa o Freeware e o Open Source?

Aquilo que os idiotas do MAPiNET, como você educadamente lhes chamou, reclamam é uma luta contra a pirataria NA INTERNET. O trabalho nas feiras? Está a ser feito, não se pode pedir mais.

Agora e na internet? Que legislação existe que permita combater o download ilegal? Que mecanismos legais existem para se investigar esse tipo de crime? É legítimo que se descarregue um ficheiro ilegalmente sem que haja NENHUMA possiblidade de ver o agente que efectuou o acto punido pelo crime que cometeu?

O que os idiotas do MAPINET querem, é não terem que investir num filme como o "Tropa de Elite" e depois ficarem com ele nas prateleiras no seu video clube, não porque o filme não tenha interesse, mas porque todos já o tinham visto muito antes de ele chegar aos cinemas. Os idiotas fartaram-se que se rissem na cara deles. Os idiotas cansaram-se e o pior... não têm nada a perder


De Paulo Querido a 29/11/2008 às 00:08
Caro Nuno Pereira, eu não citei fontes ou números do mercado. Dei o meu exemplo, para que se possa compreender que, ao contrário do que iniciativas como esta querem fazer crer, alguma até muito mais terroristas, os internautas nao são todos uns perigosos facínoras que passam a vida a fazer downloads ilegais só pelo prazer de tirar o pão da boca... dos músicos de que tanto gostam.

Não.

Há cá pessoas normais como eu -- sou o exemplo acabado de normalidade. E os números que dei são os meus, servindo de exemplo para uma observação tão comezinha quanto isto das naturais mudanças em curso na "indústria da cultura" (que nem sequer é o seu caso: pelo que percebo, você opera no comércio de entretenimento -- a milhas, portanto, do cerne da questão dos efeitos da pirataria, ao ponto de eu nem dever estar a debater isto consigo, mas que querem os leitores do Bruno, eu irritei-me...).

Cao senhor, não reduza as coisas aos freewares e aos paywares. Isso são modelos económicos, nada mais. Não se é adepto de um modelo económico em detrimento de outro. Escolhe-se um modelo económico, de preferência o mais adequado possível à nossa empreitada ou negócio, e reza-se para que dê certo (não há modelos económicos infalíveis).

Eu sou adepto é do bom senso. Que é algo que os idiotas do MAPiNET, como educadamente volto a chamar-lhes, não possuem. (Se eu quisesse ser rude ou mal educado chamava-lhes muitas outras coisas igualmente adequadas, tenho um vasto repertório que não me importo de partilhar consigo, noutras circunstâncias.)

"O que os idiotas do MAPINET querem, é não terem que investir num filme como o "Tropa de Elite" e depois ficarem com ele nas prateleiras no seu video clube, não porque o filme não tenha interesse, mas porque todos já o tinham visto muito antes de ele chegar aos cinemas."

O que acabo de ler, traduzido em linguagem de gente, é isto: os idiotas do MAPiNET fizeram um mau investimento e em vez de o assumir como prejuízo pretendem que a organização social lhes sustente o prejuízo e ainda lhes garanta que podem sempre fazer investimentos absurdos ou irreais, que alguém há-de pagar.

Isto, caro senhor, é um capricho. Eu sei que está na moda e tal, gerir-se mal e depois choramingar para que o Estado nacionalize os prejuízos. Mas também sei meter vaselina. E, quando posso, digo que não, que já dói. Depois de 15 anos a avisar a indústria da música e o comércio do entretenimento do que vinha aí, e ver ambos ignorarem os avisos, não tenho UM GRAMA de pena do que lhes está a acontecer. Quem não tem competência (nem sequer para ler os sinais bem claros do que se estava a passar) não se estabelece. Hollywood vende pins, t-shirts e bonecos de plástico pintado, com lucros impecáveis, à pála dos filmes.

O choradinho das MAPiNETs deste mundo a mim não me comove. Espero, com todas as forças que possa colocar neste assunto, no qual sou parte interessada (e eu, ao contrário da MAPiNET, e presumo que de si, faço parta da indústria da cultura, sou um autor), contribuir para que a minha sociedade não embarque nesse choradinho.

Sobre legislação, remeto-o para o Diário da República, onde encontrará quanto baste para meter 10 Polícias Judiciárias a trabalhar. Não lhes faltam "mecanismos legais" para investigar.

E escusa de mentir às pessoas. Mentir não é crime, mas é feio. Qualquer criança sabe que não é legítimo descarregar um ficheiro que esteja protegido, é apenas estúpido, com tanta música boa desprotegida que há por aí. Música, filmes, imagens, livros, software.

Quem é o senhor, quem são os senhores da MAPiNET, para passar atestados de incompetência como o que acaba de fazer aqui? Os oficiais de Justiça estão apetrechados de mecanismos, legais e técnicos, para ver quem comete ilícitos na Internet.

Este ponto é absolutamente essencial, pelo que vou perder um pouco mais tempo com ele.

1. Se o aparelho judicial tem instrumentos e não consegue "estancar" um movimento, é tempo de repensar a existência desse movimento. É da mais elementar prudência de uma sociedade adequar-se à mudança.

(segue)


De Nuno Pereira a 29/11/2008 às 18:09
Caro Sr. Querido:

No que toca ao "Tropa de Elite" diz o senhor:
"O que acabo de ler, traduzido em linguagem de gente, é isto: os idiotas do MAPiNET fizeram um mau investimento e em vez de o assumir como prejuízo pretendem que a organização social lhes sustente o prejuízo e ainda lhes garanta que podem sempre fazer investimentos absurdos ou irreais, que alguém há-de pagar."



A resposta a esta afirmação, é o próprio Sr. Querido que me dá quando diz que:

"os internautas nao são todos uns perigosos facínoras que passam a vida a fazer downloads ilegais só pelo prazer de tirar o pão da boca."

É exactamente por termos ainda clientes que não se deixam levar pelos DVDs piratas e pelos Downloads ilegais, por termos o máximo respeito por esses nossos clientes e porque não os queremos privar de cinema de qualidade que comprámos o "Tropa de Elite", sabendo que, ainda assim, isso nos traria prejuizo. Mau investimento? A que ponto chegamos quando o filme vencedor de um dos mais prestigiados prémios de cinema, o Urso de Ouro de Berlim, já é um "mau investimento"?
O que faria o senhor no caso de gerir um video clube e alguem lhe pedisse o vencedor deste ano do Festival de Berlim. Responder-lhe-ia que não tinha esse grande filme porque toda a gente já o tinha piratiado? Que raio de consideração era essa para com aqueles que não se renderam à pirataria e que têm o direito de verem cinema de qualidade?

Por acaso gostava de saber quantos comentadores daqui deste blog já viram o filme e causa, e quantos o viram no cinema em DVD legal. Mas queria a verdade, obviamente.

"Sobre legislação, remeto-o para o Diário da República, onde encontrará quanto baste para meter 10 Polícias Judiciárias a trabalhar. Não lhes faltam "mecanismos legais" para investigar"
"Quem é o senhor, quem são os senhores da MAPiNET, para passar atestados de incompetência como o que acaba de fazer aqui? Os oficiais de Justiça estão apetrechados de mecanismos, legais e técnicos, para ver quem comete ilícitos na Internet"

O Sr., que acredito que esteja de boa fá, acredito realmente não estou a ironizar, não sabe absolutamente daquilo que está a falar. ZERO! O Ministério Público não tem ferramentas legais para combater o download ilegal. Puro e simplesmente não tem. Quer ver:

Diz o Códego Processo Penal:
TÍTULO III - Dos meios de obtenção da prova
CAPÍTULO IV - Das escutas telefónicas
----------
Artigo 187.º - Admissibilidade
1 - A intercepção e a gravação de conversações ou comunicações telefónicas só podem ser autorizadas durante o inquérito, se houver razões para crer que a diligência é indispensável para a descoberta da verdade ou que a prova seria, de outra forma, impossível ou muito difícil de obter, por despacho fundamentado do juiz de instrução e mediante requerimento do Ministério Público, quanto a crimes:

a) Puníveis com pena de prisão superior, no seu máximo, a 3 anos;
b) Relativos ao tráfico de estupefacientes;
c) De detenção de arma proibida e de tráfico de armas;
d) De contrabando;
e) De injúria, de ameaça, de coacção, de devassa da vida privada e perturbação da paz e do sossego, quando cometidos através de telefone;
f) De ameaça com prática de crime ou de abuso e simulação de sinais de perigo; ou
g) De evasão, quando o arguido haja sido condenado por algum dos crimes previstos nas alíneas anteriores.

Isto para se conseguir obter uma prova recorrendo a uma escuta. No caso de se obter uma prova verificando o IP de alguem a situação é exactamente a mesma, porque diz o mesmo código:

Artigo 189.º - Extensão
1 - O disposto nos artigos 187.º e 188.º é correspondentemente aplicável às conversações ou comunicações transmitidas por qualquer meio técnico diferente do telefone, designadamente correio electrónico ou outras formas de transmissão de dados por via telemática, mesmo que se encontrem guardadas em suporte digital, e à intercepção das comunicações entre presentes.

Ou seja como o crime de usurpação ou o seu aproveitamento não está elencado nos crimes que admitem que o fornecedor de Internet divulgue o trafego do suspeito a um Juiz, esse crime torna-se automaticamente impossivel de ser investigado.

(Continua...)


De Paulo Querido a 29/11/2008 às 00:09
(continua aqui)


Dica: já pensou que não há nada para estancar? Nem forma de o fazer? Sabe: na Internet não há torneiras, funis, portas onde colocar um porteiro façanhudo e cobrar entradas. Nem se pode vender um bocado de plástico com margens de lucro pornográficas e chamar a isso cultura. Será fodido, mas é verdade. As indústrias da cultura -- falo dos agentes verdadeiros, os músicos, os artistas, os produtores, os promotores, os públicos -- já estão em acelerado movimento para adequação à realidade. Cada euro dispendido pela sociedade com os perdedores é -- desculpe a cruel franqueza -- um euro desperdiçado. Mudem de ramo. Vendam cobertores. Vão ver que é muito mais confortável. Isso dos artistas e seus públicos é uma merda chata, e com muitas oscilações. E a tecnologia, então, é melhor nem falar.

2. Qualquer tentativa de assaltar o poder judicial, como é a evidenciada pelo MAPiNET, deve ser encarada pela sociedade como um acto terrorista. O que a MAPiNET propõe, se eu ainda sei ler, é entregar a corporações de direito privado (para não dizer duvidoso) o policiamento da sociedade e a capacidade de limitar a liberdade individual dos cidadãos sem investigação, processo e julgamento nas instâncias próprias. Corrija-me se estiver enganado.

3. O lóbi é uma prática consentida e os grupos de pressão -- incluindo os grupos de pressão idiotas -- têm o direito de tentar fazer ver ao legislador os seus pontos de vista. Por isso, proponho o lançamento de um "movimento cívico anti-idiotice na Internet", que faça lóbi para se legislar de forma a impedir que os cibernautas sejam considerados culpados do hediondo crime de o cinema e a música já não serem o que eram antes.

" Os idiotas fartaram-se que se rissem na cara deles. Os idiotas cansaram-se e o pior... não têm nada a perder"

Exacto. só me dá razão. Os terroristas não têm nada a perder. Ou pelo menos assim julgam. Também têm tendência a julgar que "os outros" se riem deles. É a sua forma de se atribuirem importância.


De E.S. a 29/11/2008 às 03:45
Paulo Querido,

Passaste oficialmente a ser o meu herói. A sério lol. Adorei o texto, desde a própria escrita ao humor com que escreve.

Depois quero um autógrafo lolol.

PS: E desculpa lá a segunda pessoa do singular, mas é mania minha das internetes tratar quem não conheço por tu. Um pouco estranho, talvez.


De Nuno Pereira a 29/11/2008 às 18:22
(continuação)

E escusa de ir procurar para ver se a moldura penal do crime em causa se aplica à norma geral da alinea a)... eu poupo-lhe o trabalho. Não aplica!

Artigo 199º
Aproveitamento de obra contrafeita ou usurpada
1- Quem vender, puser à venda, importar, exportar ou por qualquer modo distribuir ao público obra usurpada ou contrafeita ou cópia não autorizada de fonograma ou videograma, quer os respectivos exemplares tenham sido produzidos no País quer no estrangeiro, será punido com as penas previstas no artigo 197º.

E diz o tal 197.º

Artigo 197º
Penalidades
1-Os crimes previstos nos artigos anteriores são punidos com pena de prisão até três anos e multa de 150 a 250 dias, de acordo com a gravidade da infracção, agravadas uma e outra para o dobro em caso de reincidência, se o facto constitutivo da infracção não tipificar crime punível com pena mais grave.

Lá está... diz "até 3 anos" para que o Juiz pudesse requerer a consulta ao trafego do suspeito o crime teria que ter uma moldura penal SUPERIOR a 3 anos.

Está ver... há uma lacuna GROSSEIRA na lei!!


De Paulo Querido a 29/11/2008 às 19:31

"Está ver... há uma lacuna GROSSEIRA na lei!!"

Não. O que eu estou a ver nessa lei é que o legislador valoriza de determinada forma o crime descrito no artigo 199º. Você acha que a moldura penal é hipovalorizada e berra-o aos quatro ventos. Eu considero que a moldura penal é adequada e não o berro aos quatro ventos.

O que você prefere ignorar é a racionalidade das medidas que preconiza. Não consegue explicá-la.

No que respeita à Internet, que é alvo do seu ataque, você é um ignorante.

"Por acaso gostava de saber quantos comentadores daqui deste blog já viram o filme e causa, e quantos o viram no cinema em DVD legal. Mas queria a verdade, obviamente."

Falando por mim: acabo de ver 8 exemplares 8 desse filme na prateleira do videoclube cá do bairro, de onde trouxe 2 filmes 2 para ver hoje e amanhã. Não vi o filme em causa no cinema (onde vi o trailer), não vi o filme em causa em DV legal ou ilegal, e não vi o filme em causa a partir da Internet. O único filme pirata que descarreguei, há uns bons anos, não apenas o traduzi e legendei para a minha filha, então criança, como o fui rever quando estreou cá (6 meses depois) e comprei o respectivo DVD nao 1, mas 2 vezes.

Sei que milhares de portugueses lhe contarão exactamente a mesma história: há filmes que se não fosse a promoção viral cuidadosamente feita através das redes P2P e dos influenciadores que as habitam, nunca teriam ido ao cinema vê-los, alugado o DVD para (re)ver em condições ou mesmo comprado, noa casos mais entusiastas (eu comprei séries completas em DVD depois de ter visto os filmes no cinema, na RTP, na TVI, no SIC e nos canais cabo e de as ter comprado em VCR, sou o que se pode chamar de um obediente cordeirinho nas garras dos exploradores de criadores e de audiências que são os mercadores de entretenimento empacotado e reempacotado e voltado a empacotar).

"É exactamente por termos ainda clientes que não se deixam levar pelos DVDs piratas e pelos Downloads ilegais, por termos o máximo respeito por esses nossos clientes e porque não os queremos privar de cinema de qualidade que comprámos o "Tropa de Elite", sabendo que, ainda assim, isso nos traria prejuizo. Mau investimento? A que ponto chegamos quando o filme vencedor de um dos mais prestigiados prémios de cinema, o Urso de Ouro de Berlim, já é um "mau investimento"?"

Ao ponto de terem calculado muito mal o interesse do público. 8 filmes 8, numa prateleira de um videoclube onde nunca vi mais de 2 cópias de um hit de bilheteira, parece-me um cálculo irrealista.

E esse BS de "ainda terem clientes que não se deixam levar pelos DVDs piratas e pelos downloads ilegais" é isso mesmo, um completo BS. "Ainda"? Esse apocalíptico "ainda" passa a mensagem, idiota e falsa, de que "o mundo" aderiu "em massa" à pirataria. A Justiça não cumpre o seu dever de prender a sociedade, logo, vocês propõem-se corrigir as leis, fazer o trabalho da polícia e levar-nos a todos dentro -- embora encare benevolentamente a hipótese de me deixar a mim em liberdade porque, como diz, "acredita" que eu estou "de boa fé".

Não me querem privar de cinema de qualidade? Caro senhor, tenha juízo e coloque-se no seu lugar. Os clubes de video estão no fim da enorme fila de distribuidores de cinema de qualidade, ou seja, não estão em posição de privar ninguém do que quer que seja.



De Nuno Pereira a 30/11/2008 às 17:48
Só para terminarmos a conversa uma vez que, concordará, este não é local mais apropriado para debater temas sérios como este e, sobretudo, com pessoas que como o Sr. estão a falar genuinamente por convicções e não por interesses escondidos, deixe-me dizer-lhe que, eu nunca questionei a moldura penal.
Três anos parece-me ajustado e talvez mesmo excessivo. Aquilo que eu reclamo é que se possa investigar o crime de Usurpação de Direitos de Autor, e para que isso possa acontecer esse crime tinha obrigatoriamente que estar elencado no artigo 187.º do CPP. Não estando, a investigação desse crime quando executado através da internet, é IMPOSSIVEL.
Não estou a dar uma opinião. É um facto.

Sr. Paulo Querido, não cometa o erro de achar que aquilo que o senhor faz aplica-se á generalidade da população. Está errado. Quem observa diariamente o comportamento dos consumidores de video sabe que você está errado. Repito, observação diária. A esmagadora maioria das pessoas não aluga um filme que viu 6 meses antes mesmo que em condições miseráveis. Quem o faz, é a excepção.

Quanto à opção de colocar 8 filmes desse filme em concreto, se estamos a falar de um video clube de bairro, parece-me uma opção absurda. Tal como o senhor, não a entendo.

Finalmente, essa última desconsideração para com os video clubes. Julgo que essa foi uma observação quase irada (ira essa que não a entendo), e penso que nem o senhor acredita naquilo que disse.
Num País em que as salas de cinema, excepção feita às grandes cidades e os seus Multiplex, escasseiam, em que a distribução de filmes em sala está praticamente limitada aos grandes blockbusters, diga-me se existe outra forma do cinema chegar às populações mais afastadas que não seja através dos video clubes. E se falarmos do cinema enquanto arte, aí nem precisamos de nos afastarmos muito. Afaste-se ligeiramente de Lisboa, concretamente do cinema King, e diga-me como é que alguém em Leiria pode ver cinema como o cinema distribuido pela Atalanta. Filmes de enorme valor artístico como sejam "Mar Adentro", "4 Meses, 3 Semanas, 2 Dias", "Dou-te os Meus Olhos" e tantos outros, se não forem os video clubes, como é que essas populações podem ver este tipo de cinema?


De Paulo Querido a 30/11/2008 às 19:18
Caro Nuno Pereira, fechar a conversa, acho bem. Do meu lado acrescento o seguinte, para concluir mais um diálogo inconsequente sobre um não-assunto:

É minha convicção que só os autores, devidamente organizados ou enquanto indivíduos, devem estipular perante a sociedade quais são os seus direitos, e se necessário for fazer lobi. Não se devem deixar manipular por falsos representantes, por advogados que vêem nesta passagem de paradigma oportunidades para explorar até ao tutano, e uma vez mais, os consumidores de entretenimento.

Esta "associação" de fachada, que mais não é que uma das faces dos comerciantes de DVD, fez-se passar por "consumidores" e até por autores. Não respresentam nem uns, nem outros. Nem sequer parcelarmente.

A investigação do crime de usurpação de direitos de autor decorre, excepto naturalmente na vossa visão enloquecida sobre a realidade.

"Não estou a dar uma opinião. É um facto."

O que piora ainda mais a vossa situação. Significa esse "é um facto" que pretendem investigar livremente e executar sumariamente, substituindo a policia e os tribunais, os internautas e as suas acções online.

Imaginemos, por um segundo delirante e a benefício de exemplo, que as vossas leoninas pretensões eram aceites por um legislador comprado (esta parte imagina-se sem delírio, ok): bastava-me mudar de lugar, de um computador para outro, uma cópia legal e por mim adquirida de 3 minutos de música para ficar sujeito às vossas penas, sem hipótese de recurso nem possibilidade de defesa.

Como calcula, não me parece um cenário adequado.

"Não cometa o erro de achar que aquilo que o senhor faz aplica-se á generalidade da população. Está errado. Quem observa diariamente o comportamento dos consumidores de video sabe que você está errado. Repito, observação diária. A esmagadora maioria das pessoas não aluga um filme que viu 6 meses antes mesmo que em condições miseráveis. Quem o faz, é a excepção"

Não acho tal coisa, está a inferir das minhas palavras uma conclusão errada e a colocá-la na minha boca. E não lhe admito que me diga que estou errado na minha observação. TODAS as pessoas cujo comportamento observei e observo, no que respeita ao consumo de cultura e entretenimento através da Internet, cumprem escrupulosamente com a lei.

TODAS as pessoas que vi baixarem um documento digital sujeito a direitos acabaram a pagar tais direitos, muitas vezes de forma entusiástica (e nalguns casos em situações onde tiveram de insistir para conseguirem pagar, uma vez que o comerciante nada facilitava a aquisição -- ah, cidadãos lováveis!) e muitas vezes em duplicado e triplicado.

Essa é a minha realidade. Se corresponde, e em que medida, aos comportamentos dos consumidores em geral, não me debrucei sobre isso nem tirei conclusões. Mas você fá-lo sem rebuço, marginalizando-me e ignorando uma tendência crescente dos públicos de cultura e entretenimento. Está na sua. Mas saiba que aos meus olhos essa atitude descredibiliza-o -- e à sua "associação" -- por completo.

Condições miseráveis -- uma vez mais, uma afirmação tóxica. Tirando as legendas, que tive de emendar, o filme pirata que vi, e isto passou-se há uns 6 anos!, era de excelente qualidade e reproduzido do portátil para a minha Sony bem grande que tinha na altura, via-se em condições perfeitas, iguais às do DVD. Ser pirata nada tem a ver com ter mais ou menos qualidade. A qualidade de reprodução de uma peça multimedia está associada às condições em que foi registada (duplicação, gravação à vista) e em que foi retransmitida.

Em condições miseráveis, isso sim, têm-me chegado metade dos filmes que vou buscar ao videoclube, sendo esse, de resto, um dos motivos de desinteresse: para quê dar 2,5 euro por um filme que depois tenho de saltar partes, ou ver aos arranques? Ainda ontem, um dos 2 filmes que aluguei, vinha em más condições (o outro, devo vê-lo esta noite, espero que esteja melhor.)

(segue)


De Paulo Querido a 30/11/2008 às 19:19
"Finalmente, essa última desconsideração para com os video clubes. Julgo que essa foi uma observação quase irada (ira essa que não a entendo), e penso que nem o senhor acredita naquilo que disse"

Eu não desconsidero os videoclubes. Onde foi buscar tal ideia? Sei perfeitamente onde se situam na cadeia de importância de distribuição de filmes. Sou mesmo cliente fiel, desde a primeira hora. Já contribui com um quinhão razoável, muito acima da média nacional estou certo, para os respectivos lucros. Se isso é desconsiderar...

O Nuno Pereira parece achar que pontos de aluguer de filmes e venda de pastilhas elásticas e tabaco no interior do país merecem o estatuto de divulgadores culturais e uma atenção particular do Estado, sob a forma não apenas de subsídios, mas de legislação que lhes atribua, no seu conjunto, poderes de fiscalização em sede própria e castigo dos prevaricadores que nenhuma outra actividade comercial detém. Bem. É uma opinião...

Ficámos a saber que os raides da Polícia Judiciária sobre a partilha ilegal de músicas puderam ser feitos nos últimos anos, uma vez que não tem aquela polícia "mecanismos legais" para perseguir os IPs.

Ficámos a zero sobre a origem dos números citados pelo vosso movimento. Não são números: são opiniões. E quem passa opiniões como se fossem factos para o público usando o megafone dos media, a quem deliberadamente engoda com a capa de "associação de cidadania", merece não apenas a minha condenação moral, merece o meu combate através da denúncia de tais manobras.

Ficámos a saber que, numa altura em que a sociedade reclama um novo sistema de valores e uma nova moldura legal adequados à nova rede de distribuição de entretenimento, sistema e moldura esses que já vão sendo estudados um pouco por todo o lado, incluindo o nosso país, os últimos resistentes do antigo império continuam empenhados em manter -- e quiçá expandir -- o sistema anterior. Estão no seu direito. Lamento -- e denuncio -- que tentem prolongar o seu negócio não através da adaptação à nova realidade, como os outros envolvidos, mas sim através de práticas de terrorismo social e político, má conduta, desinformação deliberada, propaganda manipulação da opinião pública.

Numa frase simples deixo-lhe uma dica preciosa < ironia > de borla, para ver como sou generoso < /ironia >: persigam antes os da vossa condição que vos estão a lixar o fim do negócio e deixem os consumidores em paz. Não é tentando tornar cada consumidor num pirata que vão ganhar a vossa batalha.

E finalmente: indivíduos como você e "associações" como a MAPiNET têm uma responsabilidade directa no afastamento dos públicos em direcção às alternativas, legais, ilegais e ainda sem enquadramento. Ninguém gosta de entidades que querem obrigar as pessoas a agirem de determinada forma e não hesitam em recorrer ao terrorismo verbal sobre o Estado para alcançar os seus desígnios.


De Carlos a 29/11/2008 às 09:44
O Tropa de Elite apesar de ter sido pirateado bateu o todos os record de bilheteira no Brasil. Quando é bom as pessoas até vão ao cinema ver. E se todos forem ao cinema ver claro que o clube de vídeo ira estar vazio...

Não percebo você é contra a pirataria ou é amigo dos clubes de vídeo?

Continua sem me responder, quantos autores portugueses foram prejudicados pela pirataria de Dvd´s???


De Ricardo 'minimalistic' Valfreixo a 29/11/2008 às 00:58
Só quero meter uma colherada. Aconselho todos a verem este screencast sobre o futuro dos media. E, essencialmente, sobre a forma como irão mudar no futuro.

Cole afirma que todos irão sobreviver, sem excepção. Mas apenas se se adaptarem.

Para ver: http://www.youtube.com/watch?v=yJHZEAjO4h4


Comentar post

RSS

Newsletter

Artigos recentes

Na terra dos "melos"

O santo lego

Objectivo das férias long...

Um relógio diferente

O cliente não tem sempre ...

Uma sugestão de presente ...

Motocarro

Como publicar posts no Sa...

«A Origem das Espécies» r...

Uma interessante escolha ...

Arquivo

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007